Átila no CDP

Átila no CDP

Prefeito de Mauá, na Grande São Paulo, foi preso nesta quinta, 13, na Operação Trato Feito por suposto 'mensalão' de R$ 500 mil via nove empresas fornecedoras de sua gestão; defesa pede transferência para presídio de Tremembé, no Vale do Paraiba

Paulo Roberto Netto e Julia Affonso

14 de dezembro de 2018 | 17h50

Átila Jacomussi. Foto: Nilton Fukuda / Estadão

O prefeito de Mauá Átila Jacomussi (PSB), preso nesta quinta, 13, na Operação Trato Feito, da Polícia Federal, está no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros. Sob suspeita de ser o principal beneficiário de ‘mensalão’ de R$ 500 mil bancado por um grupo de nove empresas fornecedoras de sua gestão, Átila Jacomussi é o principal alvo de inquérito que aponta também para o ex-secretário de Governo de Mauá João Eduardo Gaspar e para 22 dos 23 vereadores da cidade- todos supostamente contemplados com propinas do esquema do prefeito em troca de ‘apoio político’.

Documento

Átila passou por audiência de custódia, antes de seguir para o CDP Pinheiros. Seu advogado, o criminalista Daniel Leon Bialski, refuta a suspeita sobre o prefeito. O advogado afirma que o decreto de prisão ‘além de ilegal, não possui lastro empírico e nem idônea motivação’.

A Trato Feito é um desdobramento da Operação Prato Feito, desencadeada em maio para combater desvios de verbas da merenda escolar. Documentos apreendidos naquela ocasião nos endereços dos investigados levaram a PF a supostas ligações da gestão Átila Jacomussi com empresários que detinham o monopólio dos maiores contratos.

Entre os documentos encontrados havia planilhas que indicam repasses ilícitos aos vereadores. Eles deverão ser indiciados por corrupção passiva.

Na Operação Trato Feito, nesta quinta, 13, a PF apreendeu R$ 1,089 milhão em dinheiro vivo – a dinheirama em dólares (US$ 150,3 mil), euros (€ 29,4 mil) e reais (R$ 372,1 mil) foi confiscada de empresários e políticos.

Foto: PF

Nesta sexta, 14, Átila Jacomussi foi levado para o CDP Pinheiros. Seu defensor já requereu transferência do prefeito para o presídio de Tremembé, no Vale do Paraíba.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO DANIEL LEON BIALSKI, QUE DEFENDE ÁTILA JACOMUSSI

A defesa de Átila Jacomussi, prefeito de Mauá, representada por Daniel Leon Bialski, esclarece que ‘este novo e arbitrário decreto de prisão nada mais faz do que requentar fatos que já eram conhecidos e tinham motivado o decreto anterior que foi revogado pela Suprema Corte’.

“Como o prefeito não descumpriu qualquer das medidas impostas, a defesa irá apresentar Reclamação perante o Supremo Tribunal Federal porque essa decisão afronta e desafia a Autoridade da medida antes concedida”, assinala Bialski.

O advogado sustenta que ‘não é admissível dar uma nova roupagem para fatos pretéritos e conhecidos para se renovar o pedido de prisão’.

“A medida além de ilegal, não possui lastro empírico e nem idônea motivação. Causa maior espanto quando verifica-se que o próprio Ministério Público Federal contestou a competência jurisdicional da Justiça Federal examinar a causa. Infelizmente, este é um triste sintoma do momento policialesco em que vivemos. Todavia, a defesa irá em todas as instâncias e graus combater essa arbitrariedade, buscando restabelecer a liberdade do prefeito.”