‘Até cachorro entrou’

‘Até cachorro entrou’

Interceptações telefônicas obtidas pelo Fantástico, da Rede Globo, e confirmadas pelo 'Estado', revelam tratativas sobre supostas fraudes na concessão do Financiamento Estudantil do Governo Federal (FIES) na Universidade Brasil, cujo dono, José Fernando Pinto da Costa, foi preso na Operação Vagatomia, da PF

Redação

08 de setembro de 2019 | 21h48

. Universidade Brasil/Divulgação

“A lista rodou inteira, até cachorro entrou”, diz um dos alvos de interceptação telefônica que miram um esquema de fraudes na concessão do Financiamento Estudantil do Governo Federal (FIES) e na venda de vagas e transferências de alunos do exterior para o curso de medicina ofertado pela Universidade Brasil, de Fernandópolis, no interior de São Paulo. Os áudios foram revelados neste domingo, 8, pelo Fantástico, da Rede Globo. O teor da ligação foi confirmado ao Estado.

As interceptações se deram na Operação Vagatomia, deflagrada nesta terça, 3. A Polícia Federal investiga ainda fraudes em bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) e nos cursos de complementação do exame Revalida, para revalidação de diploma. Entre os presos, está o dono da Universidade Brasil, José Fernando Pinto da Costa.

Estimativas iniciais da PF indicam que, nos últimos cinco anos, aproximadamente R$ 500 milhões do Fies e do ProUni foram concedidos fraudulentamente.

Entre os alvos das ordens de prisão estão o dono da universidade e seu filho, além de diretores e funcionários das unidades onde as fraudes foram identificadas – São Paulo, São José do Rio Preto e Fernandópolis. Integrantes das ‘assessorias’, que vendiam vagas no curso de medicina, financiamentos FIES e bolsas do Prouni também estão entre os alvos da operação.

A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio de até R$ 250 milhões em bens e valores dos investigados.

Um dos investigados, Rosival Mareus Molina é conhecido como ‘pastor de alunos’. Segundo consta nos autos, ele ‘é apontado como um dos principais investigados e mantém relacionamento próximo com o reitor José Fernando há vários anos, com quem respondeu por problemas anteriores com a justiça também relacionados à concessão irregular de Fies’.

“Também participava das reuniões na sede da universidade brasil e da tomada de decisões sobre a situação dos alunos alunos cooptados e conta com grande estrutura responsável pela captação de alunos para a Universidade Brasil, que conta com a participação necessária de seu assecla Davi Correia Bonfim, responsável pela inserção de dados ideologicamente falsos nos requerimentos do Fies”.

As investigações duraram cerca de oito meses e identificaram que o líder do esquema era o próprio dono da universidade, que também ocupa o cargo de reitor. O empresário, engenheiro de 63 anos, e seu filho, que também é sócio do grupo educacional, sabiam do esquema e participavam dos crimes em investigação, segundo a PF.

Segundo a Polícia Federal, ‘assessorias educacionais’, com o apoio dos donos e da estrutura administrativa da universidade, negociaram centenas de vagas para alunos.

Entre os estudantes que compraram suas vagas e financiamentos estão filhos de fazendeiros, servidores públicos, políticos, empresários e amigos dos donos da universidade –  ‘todos com alto poder aquisitivo, que mesmo sem perfil de beneficiário do FIES, mediante fraude, tiveram acesso aos recursos do Governo Federal’.

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