Ataque hacker interrompe aula de Lewandowski com ‘Carreta Furacão’ e nazismo; veja vídeo

Ataque hacker interrompe aula de Lewandowski com ‘Carreta Furacão’ e nazismo; veja vídeo

Invasores utilizaram um perfil fake do diretor da Faculdade de Direito para obter acesso à exposição e passaram a emitir 'sons e vídeos disruptivos e mensagens obscenas e de teor nazista'; participantes deixaram a sala e encontro foi retomado dez minutos depois

Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA e Paulo Roberto Netto/SÃO PAULO

30 de novembro de 2020 | 17h46

Invasores inseriram vídeos do grupo ‘Carreta Furacão’ em aula do ministro Ricardo Lewandowski, na USP. Foto: Reprodução

Um ataque hacker interrompeu aula por videoconferência realizada pelo ministro Ricardo Lewandowski na Faculdade de Direito da USP nesta segunda, 30. A invasão inseriu vídeos do grupo ‘Carreta Furacão’ durante a chamada e referências nazistas nos comentários dos participantes, como citações de Adolf Hitler e o símbolo da suástica.

O ataque ocorreu quando o ministro começaria uma palestra chamada ‘Releitura dos clássicos de teoria geral do Estado’. Quando a aula se tornou inviável, os participantes deixaram a sala virtual e aguardaram a coordenação enviar um novo link para a retomada da palestra. A paralisação durou cerca de dez minutos.

Procurado, o gabinete de Lewandowski afirmou que se tratou de um ataque a uma aula da USP e, por isso, a universidade deveria ser procurada. Segundo a USP, os invasores utilizaram um perfil fake do diretor da Faculdade de Direito para obter acesso à aula, quando passaram a emitir ‘sons e vídeos disruptivos e mensagens obscenas e de teor nazista’.

“Os fatos já foram encaminhados para a autoridade competente e está sob investigação. Reiteramos que os responsáveis serão identificados e submetidos ao devido processo”, afirmou a Faculdade de Direito da USP, em nota.

Veja um momento da invasão:

A invasão da aula de Lewandowski não é caso isolado, segundo apurou o Estadão. Na última terça, um webinário sobre ‘Acesso à Justiça e Racismo Estrutural’ sofreu o mesmo tipo de ataque quando participantes que obtiveram o link do encontro inseriram vídeos pornográficos e outras referências ao nazismo durante o encontro. Fontes relataram que casos semelhantes se tornaram frequentes nas últimas semanas.

O ataque se soma às invasões recentes aos sistemas dos principais tribunais de Justiça do País. Na sexta, 27, invasores atacaram o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e alegaram ter obtido acesso a arquivos em mais de 40 bases de dados do tribunal, que concentra processos 13 Estados e do Distrito Federal. No início do mês, um ataque do tipo paralisou o Superior Tribunal de Justiça por seis dias, travando cerca de 12 mil processos pelo caminho.

Durante o primeiro turno, um hacker português afirma ter realizado ações contra o Tribunal Superior Eleitoral. ‘Zambrius’, como é conhecido, foi preso neste sábado, 28, pela Polícia Judiciária portuguesa na operação Exploit, deflagrada em parceria com a Polícia Federal, que mirou três brasileiros suspeitos de auxiliar no ataque. Segundo as investigações, o hacker tentou invadir o TSE em ao menos duas ocasiões – no dia 15 de novembro, no primeiro turno, e no último dia 19.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DA FACULDADE DE DIREITO DA USP

“Hoje, mais uma vez, uma atividade acadêmica da FDUSP foi invadida por vândalos digitais que buscam apenas impedir o livre funcionamento de uma Universidade pública e a liberdade acadêmica e de expressão de um docente.

Os invasores se utilizaram de perfil fake do Diretor para emitir sons e vídeos disruptivos e mensagens obscenas e de teor nazista, dirigindo ofensas pessoais ao docente e aos demais participantes da atividade.

Apesar do ataque, o professor Titular Ricardo Lewandovski conseguiu levar a aula da disciplina de pós-graduação “Releitura dos clássicos de teoria geral do Estado” até o final, após desligar os invasores. Os fatos já foram encaminhados para a autoridade competente e está sob investigação. Reiteramos que os responsáveis serão identificados e submetidos ao devido processo. E que a Faculdade não deixará de seguir com suas atividades e seus valores.”

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