Associativismo: a chave para o enfrentamento da pandemia e a recuperação da economia

Associativismo: a chave para o enfrentamento da pandemia e a recuperação da economia

Jonatan da Costa*

09 de setembro de 2020 | 17h00

Jonatan da Costa. Foto: Divulgação

Em meio à pandemia de Covid-19, trabalhadores e trabalhadoras são os mais afetados por conta do aumento do desemprego e do trabalho informal, realidades que, se somadas, atingem mais da metade da população brasileira. De acordo com dados mais recentes do IBGE, em relação ao trimestre encerrado em maio deste ano, 12,7 milhões de pessoas estão desempregadas no Brasil (12,9%). Em três meses, o país perdeu 7,8 milhões de postos de trabalho — os quais  pelo menos 5,8 milhões eram informais. A informalidade é opção para 36,8 milhões de brasileiros, ou seja, 39,9% dos trabalhadores e trabalhadoras — o que deixa grupos populacionais  ainda mais vulneráveis.

Em relação aos negócios, aqueles de pequeno e médio porte são os mais afetados. Segundo a pesquisa O impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios, do Sebrae, a crise do coronavírus mudou o funcionamento de 5,3 milhões de pequenas empresas no Brasil, o que equivale a 31% do total. Outras 10,1 milhões (58,9%) interromperam as atividades temporariamente. Frente aos dados alarmantes, uma nova forma de enxergar os negócios vem criando forma: o associativismo. De acordo com um estudo da empresa Ernest Young, encomendado pela Federação Nacional de Seguros (FenSeg), existem cerca de 687 associações no Brasil, com mais de 4,5 milhões de associados.

Em uma nova visão de negócios, a cooperação e o associativismo são modelos de fazer negócios que viabilizam mais participação e espaços de diálogo entre a sociedade organizada e o poder público. A mobilização de uma comunidade ou de um grupo de empresários, motivada por objetivos em comum, é facilitada quando realizada em parceria com uma entidade associativa, o que traz ainda, melhores resultados a todos os participantes. É crescente o exemplo de empresários que buscam por meio dessas modalidades formas de superar ou ajudar outras parceiras a passarem pela instabilidade econômica e garantirem a sustentabilidade dos negócios. O gesto é um sinal de estreitamento dos laços profissionais e do compartilhamento de ideias entre setores, que podem buscar maneiras conjuntas de enfrentar os problemas.

Existem várias formas de associativismo que podem ser benéficos para os negócios, como, por exemplo, as redes associativas — grupos de organizações com interesses em comum que buscam em conjunto a melhoria da competitividade de um determinado setor ou segmento. Em tempos de crise, esse modelo de negócio é um diferencial competitivo importante, porque busca parcerias que proporcionem mais lucro e renda, agilidade, informações e tecnologia para a gestão da entidade. Assim, é possível competir de forma mais justa com grandes players do mercado. A tecnologia vem para agregar à gestão dessas entidades, automatizando negociações e centralizando dados.

Quando unidos em grupos associativos, os empreendedores têm mais força, conseguem reduzir custos, realizar boas práticas e aumentar o poder de barganha com os fornecedores. Esse modelo de negócio permite empoderamento aos mais diversos segmentos, o que se torna um diferencial  importante no momento em que estamos vivendo.

Em uma pesquisa realizada entre os dias 6 e 8 de abril de 2020, a Área Central, empresa especialista em gestão de centrais de negócios, entrevistou 40 redes associativas clientes — que reúnem cerca de 3,7 mil lojas, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país — e verificou que 69% dos associados às redes e centrais acreditam que estar inserido neste modelo de negócio pode ajudar muito na manutenção e na recuperação da economia. Além disso, eles ainda comentaram sobre o que gostariam de ter feito para para enfrentar a crise. Dentre as respostas estavam ter implantado e-commerce para o grupo de lojas e iniciado o uso das redes sociais para a venda de produtos com antecedência; acompanhando o cenário em outros países, antecipando a compra de materiais de limpeza, álcool em gel e equipamentos de EPI; ter um fundo de reserva para crises (caixa).

A importância de estar associado está em evidência. No momento em que estamos vivendo, as definições dos decretos locais para tratar do enfrentamento da pandemia e as atividades que podem ou não acontecer, as associações e cooperativas apresentam argumentos e informações que podem ser decisivas para ajudar os governos na adequação de decretos — tendo que vista que representam os empreendedores e somam a força de todos eles. Os benefícios de se associar vão além. Manter-se conectado a uma associação relacionada às atividades da empresa ajuda o empreendedor a somar forças, o que gera novas oportunidades de negócio, identificação de cenários antecipados para decisões certeiras, negociação de linha de crédito, políticas públicas para o segmento, negociação com fornecedores, entre outras. As associações podem ser a chave para a recuperação econômica, pois não é apenas um empresário sozinho, é a união de vários atores que possuem as mesmas dores e defendem, junto dos colegas do ramo, seus interesses.

*Jonatan da Costa, CEO e cofundador da Área Central

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