Associação Médica Brasileira recebe 2,5 mil denúncias sobre falta de equipamentos de proteção

Associação Médica Brasileira recebe 2,5 mil denúncias sobre falta de equipamentos de proteção

Entidade levantou que maior parte dos relatos se concentra em hospitais paulistas; em mais de 75% dos estabelecimentos denunciados há relato da falta de pelo menos três dos EPIS

Luiz Vassallo

30 de março de 2020 | 15h58

Foto: Pixabay

“Funcionários são ameaçados para trabalhar sem uso de EPI, a máscara não é distribuída para os pacientes sintomáticos”, diz um médico de Jandira, no interior de São Paulo. Outro, do Rio, relata: “Atendo em sala sem janela, sem insumos, sem limpeza efetiva e sem máscaras cirúrgicas no setor”. Em Uberlândia, no interior de Minas, ‘negam EPI aos médicos/residentes e aos internos que entram em contato direto com paciente’. “Um absurdo”, diz outro profissional da Saúde.

A Associação Médica Brasileira afirma ter recebido, até 23h deste domingo, 2.513 denúncias sobre falta de Equipamentos de Proteção Individual contra o coronavírus, em 520 municípios pelo País, em meio à pandemia do coronavírus.

Neste domingo, o Estado revelou que, com o déficit de profissionais – principalmente no SUS – e falta de equipamentos de proteção para médicos e enfermeiros, o País corre o risco de sofrer um apagão de trabalhadores da saúde caso o surto de coronavírus atinja proporções como as da Itália, Espanha e Estados Unidos.

Segundo a entidade, a ‘ação de acolher queixas de médicos teve início com a campanha de orientação da AMB sobre segurança e protocolos no combate ao coronavírus, quando diversos médicos relataram à entidade a falta de condições adequadas de trabalho, com alta exposição ao vírus’.

Segundo o levantamento, ‘em mais de 75% dos estabelecimentos denunciados há relato da falta de pelo menos três dos EPIS’. “Em mais de 30% dos casos, todos os EPIs estão em falta”.

Equipamentos de Proteção Individual (EPI) são a classificação para máscara tipo N95 ou PFF2, óculos e/ou face shield; luvas, gorro, capote impermeável e álcool gel 70%. A AMB alerta que ‘máscaras cirúrgicas não são eficientes para esse tipo de situação’.

“Álcool em gel é reclamação de mais de um terço das denúncias (35%) e máscaras faltam em quase 90% dos estabelecimentos denunciados. Óculos e/ou face shield (72%), capote impermeável (65%), gorro (46%) e luvas (27%) são os itens que mais faltam em hospitais e unidades de saúde”, afirma a entidade.

“Para dar tranquilidade aos colegas, garantimos o anonimato dos denunciantes, que expuseram seus relatos sobre os mais de 1.200 estabelecimentos denunciados pela plataforma criada pela AMB “http://www.amb.org.br/coronavirus”. Impressionante constatar que falta até álcool em gel em 35% dos estabelecimentos denunciados”, comenta Lincoln Ferreira, presidente da AMB.

O estado de São Paulo é a unidade da federação que teve o maior número de denúncias (855) e também o maior número de municípios denunciados (109). A capital paulista é a cidade cujos estabelecimentos foram mais denunciados, com quase 25% (250) das denúncias do estado, seguida por Caçapava (59) e Santos (31). As outras oito cidades com mais queixas são Rio de Janeiro (148), Porto Alegre (128), Brasília (73), Belém (63), Belo Horizonte (48), Recife (36), Teresina (31) e Campo Grande (31).

O estado do Rio de Janeiro concentra 273 queixas, com a capital fluminense no topo, com 150, junto com Duque de Caxias (12) e Nova Iguaçu (9). Minas Gerais e Rio Grande do Sul aparecem na sequência como os estados com mais denúncias, com 262 e 218, respectivamente. Na região Norte, Belém, no Pará, é o munícipio com mais relatos, com 64 ao todo.

“O quadro é grave e não podemos ficar de braços cruzados. Precisamos mostrar onde os médicos estão ficando expostos e pressionar as autoridades para resolver os problemas o mais rápido possível, pelo bem da população brasileira e dos médicos que estão na linha de frente”, alertou Lincoln Ferreira, presidente da AMB.

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