Associação de bancos quer rescindir com empresa que pagou Chambinho

ABBC, entidade que firmou contrato com Consist Software, anuncia que já notificou, via cartório, empresa sob suspeita de ter repassado propinas para Alexandre Romano, ex-vereador do PT no âmbito de empréstimos consignados

Redação

17 de agosto de 2015 | 14h28

Alexandre Romano, o Chambinho. Foto: Reprodução

Alexandre Romano, o Chambinho. Foto: Reprodução

Atualizado às 21h

Por Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) informou nesta segunda-feira, 17, que encaminhou em 7 de agosto, via cartório, notificação para a Consist Software solicitando esclarecimentos ‘acerca dos fatos noticiados, com vistas ao início do processo de rescisão contratual’. Um acordo entre a ABBC, o Sindicato das Entidades Abertas de Previdência Privada (SINAPP) e a Consist está sob suspeita da Operação Pixuleco II, 18º fase da Lava Jato, que na quinta-feira, 13, prendeu o ex-vereador do PT, em Americana (SP), Alexandre Romano.

A Lava Jato suspeita que Romano tenha recebido R$ 40 milhões em propinas. Nesta segunda-feira, 17, vence o prazo da prisão temporária do ex-vereador. O juiz federal Sérgio Moro poderá prorrogar por mais 5 dias a custódia de Romano ou mesmo convertê-la em prisão preventiva.

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A Consist foi  contratada após a ABBC e o SINAPP firmarem um acordo de cooperação técnica com o Ministério do Planejamento, em 2009. O objetivo deste acordo com a pasta era ‘facilitar e melhorar a segurança dos contratos de empréstimos consignados para servidores federais’. “Nele, não há qualquer tipo de remuneração ou fluxo de valores entre as instituições (ABBC, SINAPP e Ministério do Planejamento)”, apontou a Associação.

Segundo nota divulgada pela ABBC, o Tribunal de Contas da União e a Advocacia Geral da União analisaram e aprovaram o acordo de cooperação técnica firmado com o Ministério do Planejamento e com o SINAPP, em 2009.  “O acordo de cooperação técnica foi analisado pela Advocacia Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União, que concluíram por sua plena conformidade e adequação à legislação”, esclareceu a ABBC no texto.

A Consist, de acordo com a Associação de Bancos, foi contratada para ‘o gerenciamento do sistema referente aos empréstimos consignados para servidores federais’. Na época, segundo a entidade, os bancos participantes do mercado de crédito consignado avaliaram opções disponíveis e identificaram que a Consist empresa ‘apresentava melhores condições de atender os requisitos técnicos e operacionais’. Ainda, de acordo com a ABBC, ‘não havia qualquer informação pública que desabonasse seu trabalho ou conduta (da Consist)’.

COM A PALAVRA, A ABBC

Esclarecimentos da ABBC

– O Ministério do Planejamento firmou, em 2009, acordo de cooperação técnica com a ABBC e o SINAPP. O acordo foi feito para facilitar e melhorar a segurança dos contratos de empréstimos consignados para servidores federais. Nele, não há qualquer tipo de remuneração ou fluxo de valores entre as instituições (ABBC, SINAPP e Ministério do Planejamento).

– Após firmar o acordo, ABBC e SINAPP contrataram a Consist Software para o gerenciamento do sistema referente aos empréstimos. Neste contrato, também não há qualquer fluxo de valores (pagamento ou recebimento) entre a empresa contratada e a ABBC ou SINAPP. À época, os bancos participantes do mercado de crédito consignado avaliaram opções disponíveis e identificaram que esta empresa apresentava melhores condições de atender os requisitos técnicos e operacionais. Até então, não havia conhecimento de qualquer informação pública que desabonasse seu trabalho ou conduta.

– O acordo de cooperação técnica foi analisado pela Advocacia Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União, que concluíram por sua plena conformidade e adequação à legislação.

– Conforme previsto no contrato firmado, a ABBC encaminhou em 07 de agosto, via cartório, notificação para a Consist Software solicitando esclarecimentos acerca dos fatos noticiados, com vistas ao início do processo de rescisão contratual.

COM A PALAVRA, RUSSO

O presidente do diretório municipal do PT, Marco Bariao, o ‘Russo’, informou que Romano não é mais filiado ao partido. “O senhor Alexandre Correa de Oliveira Romano foi filiado ao PT de Setembro de 1999 a 22 de Setembro de 2005?.

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