Assista a Riva delator sobre desvio de R$ 9 milhões em processo movido por banco contra a Assembleia de Mato Grosso

Assista a Riva delator sobre desvio de R$ 9 milhões em processo movido por banco contra a Assembleia de Mato Grosso

Ex-presidente da Casa de Leis, hoje réu em ações criminais e por improbidade, José Geraldo Riva afirma que advogado do HSBC se aliou aos deputados para receber dívida em nome da instituição financeira

Rayssa Motta, Pepita Ortega e Fausto Macedo

13 de dezembro de 2020 | 05h00

O ex-presidente da Assembleia de Mato Grosso, José Geraldo Riva, em delação. Foto: Reprodução

Em novos registros obtidos pelo Estadão, o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato GrossoJosé Geraldo Riva, réu em ações criminais e por improbidade, delata como teria desviado, no ano de 2013, R$ 9,48 milhões com a ajuda do então advogado do HSBC, Joaquim Fábio Mielli Camargo, no âmbito de uma ação movida pelo banco contra o parlamento.

As suspeitas sobre os pagamentos vieram à tona ainda em 2015, quando Riva chegou a ser preso, e agora são detalhadas pelo ex-deputado na delação premiada fechada com o Ministério Público de Mato Grosso e homologada pela Justiça.

A ação em questão cobrava uma dívida contraída pela Assembleia Legislativa junto ao Bamerindus para a contratação de planos de saúde e havia sido aberta em 1997, depois que o HSBC incorporou o banco paranaense. Na ocasião das negociações para o suposto esquema, a Justiça já havia condenado o Legislativo quitar os pagamentos.

Segundo Riva, o próprio advogado procurou os deputados e propôs receber os valores diretamente dos cofres da Assembleia em troca da prescrição da ação. “Nós somos procurados, num determinado momento, pelo Mieli, que propõe um acordo: nós pagamos os seus honorários para que ele desse a ação como certa e desistisse, até numa forma de prescrever a ação”, contou o delator. 

Os valores desviados teriam sido divididos com os parlamentares, afirma Riva. Conforme o relato, dos R$ 5,21 milhões reservados a Mieli, uma fração – R$ 342 mil – foi entregue ao também advogado Julio Cesar Domingues Rodrigues, que se apresentava como ‘interlocutor da Assembleia’ e teria sugerido a divisão do dinheiro com os parlamentares. Na outra ponta, os deputados teriam recebido cerca de R$ 3 milhões: Romoaldo Júnior, R$ 1,1 milhão; Mauro Savi, R$ 916 mil; José Riva, R$ 806 mil; Gilmar Fabris, R$ 95 mil; Luciane Bezerra, R$ 50 mil; e Guilherme Maluf, R$ 50 mil.

Entre as provas listadas por Riva, estão planilhas elaboradas com base em transferências solicitadas pelos beneficiados e em desembolsos efetivados por Mieli. Entre as testemunhas arroladas por ele estão Luiz Márcio Bastos Pommot, ex-secretário-geral da Assembleia Legislativa, e Anderson Godoy, ex-procurador da instituição, que teria dado parecer pela legalidade do acerto.

Riva admitiu, porém, que, apesar dos pagamentos, a contrapartida não foi cumprida. Isso porque, após tomar conhecimento do acordo, o HSBC acionou a Procuradoria-Geral de Justiça para dar continuidade ao litígio alegando não ter sido consultado sobre as negociações.

 

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