Assista ao relato de delator da Odebrecht sobre contatos com Garreta

Assista ao relato de delator da Odebrecht sobre contatos com Garreta

Vídeo de delação de Fernando Migliaccio, executivo do setor de propinas, sobre ligações e encontros com ex-homem forte da comunicação do PT foi anexado ao processo sobre corrupção envolvendo Petrobrás e o fundo Petros, na Lava Jato em Curitiba

Ricardo Brandt e Fausto Macedo

18 de agosto de 2019 | 05h00

A pedido da defesa de Valdemir Flávio Garreta, antigo homem forte da comunicação do PT que caiu no radar da Operação Lava Jato, foi anexado no processo em que é réu em Curitiba o vídeo da delação premiada de Fernando Migliaccio da Silva, ex-executivo do setor de propinas da Odebrecht, em que ele foi citado. No vídeo, o delator da Odebecht narra os contatos e os pedidos de liberação de dinheiro.

Garreta foi denunciado por supostamente ter recebido propina milionária da Odebrecht no âmbito das obras da Torre Pituba, sede da Petrobrás em Salvador.

Garreta nega. Réu no processo aberto em dezembro, ele será interrogado pelo juiz federal Luiz Antônio Bonat, titular da Lava Jato em Curitiba, no dia 16 de setembro. Além de dizer não ter recebido da Odebrecht referente ao negócio, sua defesa aponta inconsistências nos fatos narrados pela acusação.

No vídeo entregue ao juiz pela força-tarefa, Migliaccio narra três supostos pagamentos do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht para Garreta. Diz que recebia ligações do réu e encontros no escritório da empresa para acertar a forma de repasse.

O vídeo foi anexado no último mês. O Termo 12 da delação de Migliaccio é de outubro de 2016 e estava com a Procuradoria Geral da República (PGR), que fechou a megadelação da Odebrecht no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministério Público Federal inclui no processo a transcrição do depoimento, mas não o vídeo.

A ação penal está em fase de interrogatório dos réus – são 42 ao todo, entre eles Armando Trípodi, o ex-chefe de gabinete do então presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli, João Vaccari Neto, entre outros. Um dos acusados era o empresário Cesar Mata Pires Filho, herdeiro da OAS, que morreu no dia 25.

Outro depoimento de Migliaccio foi anexado no processo pela acusação. Um termo de oitiva de 2018 complementar sobre o tema Garreta. O delator foi interrogado por Bonat em março.

Identificado nas planilhas de repasses ilícitos da Odebrecht, Garreta chegou a ser preso pela Polícia Federal em novembro, na fase 56, a Operação Sem Fundos.

Segundo relatado pelo delator André Vital Pessoa de Melo, diretor regional da Odebrecht Realizações Imobiliárias a partir de julho de 2014, José Nogueira Filho – representante da OAS no projeto do Conjunto Pituba -, ‘veiculou pedido de propina no montante de dois milhões de reais a ser arcado pela Odebrecht e pela OAS e a ser pago em favor de Valdemir Garreta, com o objetivo de saldar gastos de campanha do Partido dos Trabalhadores na eleição presidencial de 2014’.

Lava Jato 56 indicou R$ 68 milhões em propinas que teriam sido distribuídas a ex-dirigentes da Petrobrás e do Fundo Petros. Os investigadores suspeitam que o superfaturamento das obras bateu em R$ 1 bilhão – inicialmente orçado em R$ 320 milhões, o empreendimento saiu por R$ 1,32 bilhão.

No decreto de prisão, em novembro, a juíza Gabriela Hardt destacou que o Ministério Público Federal aponta ‘a existência de um cipoal corporativo’ pertencente a Garreta, ‘profissional de marketing que teria recebido pagamentos da OAS e da Odebrecht por serviços prestados ao Partido dos Trabalhadores’.

“Valdemir Flávio Garreta é apontado como publicitário do Partido dos Trabalhadores e seu operador, tendo, em cognição sumária, arrecadado significativos valores de vantagens indevidas pagas pela Odebrecht Realizações Imobiliárias em razão do empreendimento Pituba”, destacou a magistrada.

“Foram colhidos elementos indicando que Valdemir Garreta foi responsável por operacionalizar o recebimento de, ao menos, R$ 973 mil pagos pela Odebrecht Realizações Imobiliárias, em espécie, por meio do Setor de Operações Estruturadas.”

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Os investigadores afirmaram ter descoberto “intenso contato telefônico” entre Garreta e o executivo Fernando Migliaccio, ligado à empreiteira, “em relação que abarcava o pagamento de vantagens indevidas relacionadas a vários outros ilícitos”.

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Defesa. Em novembro, Garreta detalhou o caso em depoimento a PF, quando foi preso. Ele negou relação com ilícitos e recebimento de valores pela obra.

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Garreta afirma que recebeu valores da Odebecht por serviços que prestou na campanha eleitoral do Peru, onde já fechou acordo de colaboração.

Na defesa prévia apresentada pela advogada Danyelle da Silva Galvão, em fevereiro, Garreta pediu que Migliaccio, que estava arrolado como testemunha da acusação, também fosse ouvido como testemunha de defesa no caso.

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