Assista ao delator que confessou lavagem para operador do MDB no Inquérito dos Portos

Assista ao delator que confessou lavagem para operador do MDB no Inquérito dos Portos

Advogado Flávio Calazans afirmou à Procuradoria da República, em depoimento gravado em áudio e vídeo, que firmava contratos simulados com empresas do setor portuário e repassava valores para o contador Milton Lyra, ligado ao partido; relato faz parte dos autos em que a Polícia Federal indiciou presidente Michel Temer por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa

Fabio Serapião/BRASÍLIA e Luiz Vassallo/SÃO PAULO

18 de outubro de 2018 | 17h35

O advogado Flávio Calazans admitiu, em delação premiada, ter acertado com intermediários de Milton Lyra, apontado como o operador do MDB, supostos contratos fictícios com empresas do setor portuário para lavagem de dinheiro.

A delação de Calazans foi firmada no âmbito do inquérito dos Portos, cujo relatório final da Polícia Federal indiciou o presidente Michel Temer, sua filha Maristela e outros 9 investigados. O presidente foi enquadrado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O inquérito aponta supostas propinas de R$ 5,9 milhões ao emedebista em troca de benefícios a empresas na edição do Decreto dos Portos, em maio de 2017. Lyra não está entre os onze indiciados.

Em depoimento à Procuradoria, Calazans afirma que Vitor Colavitch e Rodrigo Brito, supostos intermediários de Lyra, o procuraram. “Foi feito um contrato com essas empresas alguns contratos aditados, e esse dinheiro ia para o Rodrigo e para o Victor. Essas operações com essas empresas foram coordenadas com o escritório do Victor e principalmente o Rodrigo”.

“Esse dinheiro entrava na conta. no começo, esse dinheiro ficava um pouco mais na conta, alguns dias a mais, para poder justificar a saída, mais para frente, andando, entrava num dia, saía no mesmo dia, no outro. então, a gente mantinha uma conta corrente.

Calazans afirma que diversas empresas do setor portuário faziam contratos por serviços que ele nunca prestou, somente para o recebimento do dinheiro e o repasse para Lyra. Do total, ele teria ficado com 3%.

“90% das operações que eu fiz com Victor e Rodrigo, 90% era para Milton Lyra. Como eu soube disso? Soube porque comentaram. Eu conheci o Milton Lyra, tive com ele umas três quatro vezes em São Paulo, e principalmente as operações grandes eram tudo Milton Lyra”, afirma.

COM A PALAVRA, MILTON LYRA

O empresário Milton Lyra esclarece que o relato do delator é mentiroso, já que nunca fez ou mandou fazer qualquer depósito em favor do escritório de Flávio Calazans.

Afirma também que não conhece as empresas mencionadas por ele, nem seus donos, e que jamais tratou das tramas fruto dessas invenções.

Assessoria de imprensa de Milton Lyra

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