Assista a Moro falando dos hackers que invadiram seu celular

Assista a Moro falando dos hackers que invadiram seu celular

Ex-ministro da Justiça prestou depoimento por videoconferência nesta quarta, 8, como testemunha no âmbito da Operação Spoofing, que investiga a invasão e roubo de mensagens de celulares de procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato

Redação

08 de julho de 2020 | 20h58

O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro prestou depoimento por videoconferência nesta quarta, 8, no processo da Operação Spoofing, que mirou um grupo de hackers acusado de invadir celulares de quase mil pessoas, incluindo o próprio ex-juiz da Lava Jato e integrantes da força-tarefa em Curitiba.

À Justiça, Moro negou ter tido acesso ou interferido nas investigações, embora tenha reconhecido que era informado sobre o andamento do inquérito. “Era só um acompanhamento do andamento dos trabalhos. Afinal de contas, além da questão da minha posição de vítima, havia também essa situação envolvendo a segurança nacional”, disse.

O ex-juiz federal também afirmou que jamais defendeu a destruição de mensagens obtidas na investigação, em junho do ano passado. À época, ele tinha o entendimento de que as mensagens não deveriam sequer ser examinadas, pois significaria uma nova violação de privacidade das vítimas.

Hoje, Moro disse que sua declaração foi mal interpretada e esclareceu que a manifestação foi no sentido de que as provas obtidas só poderiam ser usadas na investigação sobre o ataque aos celulares. “Se um hacker invade o telefone de uma autoridade, é evidente que o conteúdo dessas mensagens depois não vai poder ser utilizado pra alguma coisa outra que não a punição do ato criminoso de atacar as autoridades”, afirmou.

Assista abaixo a íntegra das respostas de Moro.

Para assistir um trecho específico do depoimento, escolha o tema abaixo e adiante o vídeo até a minutagem correspondente:

  • Quando surgiu a desconfiança do ataque hacker (6’50): “Fui contatado com a informação de que procuradores da República da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba teriam sofrido ataques cibernéticos que buscavam hackers conteúdos de comunicações feitas por aplicativos de mensagens, especialmente no Telegram. Isso me foi informado. A Polícia Federal passou a realizar investigações sobre esses fatos para tentar identificar quem eram essas pessoas responsáveis pelos ataques. Posteriormente, ainda antes de haver algum resultado dessas apurações, eu me encontrava no meu gabinete do Ministério da Justiça e, ao final da tarde, e aqui eu peço desculpas que não lembro exatamente a data, mas certamente esse dado deve estar nos autos, eu percebi no meu telefone celular que ele estava recebendo uma ligação do mesmo número. Ou seja, o mesmo número do meu celular ligando para o meu celular. Aquilo me chamou muita atenção, porque afinal de contas eu não estaria ligando para mim mesmo. E eu só observei. Eu não atendi a ligação, mas houve uma segunda ligação com o mesmo padrão e eu então cometi até o equívoco ali, a meu ver, de atender, ver se tinha algum erro ou coisa parecida. Mas aí sem maiores consequência. Em seguida, eu entendi que no fundo havia sido também uma das vítimas dessa tentativa de hackeamento”.
  • O celular usado por Moro (15’25): “Esse telefone, embora fosse privado e particular, eu utilizava para comunicações inclusive oficiais, de governo. E, mesmo na época que era juiz, eu usava também esse celular para comunicar, inclusive relativamente a assuntos oficiais. Claro que comunicações que precisariam ser formalizadas eu fazia no papel. Mas isso não significa que eventualmente eu não utilizava esse celular para tratar de assuntos de trabalho, inclusive de governo, inclusive de Ministério. (…) Então entendo que eu fui atacado com o meu celular na condição de Ministro da Justiça e Segurança Pública, seja para que fossem capturadas mensagens relativas ao meu período de atuação como juiz federal, ou seja mensagens relativas a minha atuação como Ministro”.
  • A comunicação com a Polícia Federal durante as investigações (19’04): “Nós falamos algumas vezes sobre esse assunto com a Polícia Federal, porque isso acabou envolvendo questões relativas à segurança nacional, afinal de contas não é trivial tentativa de hackeamento do telefone do Ministro da Justiça e Segurança Pública. Nós tratávamos de assuntos sensíveis dentro do telefone. E isso ainda foi agravado depois pela constatação de que também tinham atacado o telefone do presidente da República. Então isso é um assunto de segurança nacional, isso foi objeto de discussão entre mim e a Polícia Federal por conta desse fato.”
  • As informações solicitadas pelo ex-ministro à PF (20’08): “Era só um acompanhamento do andamento dos trabalhos. Afinal de contas, além da questão da minha posição de vítima, havia também essa situação envolvendo a segurança nacional. Acho que quem me informava normalmente era o próprio diretor geral da Polícia Federal (Maurício Valeixo). Mas em detalhes assim eu não me recordo especificamente. Veja, o diretor geral não cuida diretamente das investigações. Quem fazia essas investigações, e isso me foi informado, era o delegado (Luís Flávio) Zampronha. O diretor geral não se envolvia diretamente na feitura das investigações.”
  • A destruição das mensagens obtidas (30’): “Se um hacker invade o telefone de uma autoridade, é evidente que o conteúdo dessas mensagens depois não vai poder ser utilizado pra alguma coisa outra que não a punição do ato criminoso de atacar as autoridades. Então era basicamente isso que eu coloquei e depois foi divulgado no jornal, gerou toda uma celeuma, mas não tinha nada a ver questão de destruição de prova. Tanto assim que eu não determinei à Polícia Federal que destruísse nada. Eu só falei que a prova não seria utilizada para as autoridades que foram atacadas.”

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