Assessores e familiares ajudam Henrique Alves a ocultar propina, diz Procuradoria

Assessores e familiares ajudam Henrique Alves a ocultar propina, diz Procuradoria

Três aliados do ex-ministro do Turismo de Dilma e Temer e ex-presidente da Câmara foram presos na Operação Lavat, deflagrada nesta quinta-feira, 26

Julia Affonso e Ricardo Araújo

26 de outubro de 2017 | 11h11

Henrique Eduardo Alves. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O Ministério Público Federal informou nesta quinta-feira, 26, que assessores e familiares do ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB – Governos Dilma e Temer/Turismo) ‘ajudavam e continuam a ajudar’ o peemedebista a ocultar propina. Deputado federal por onze mandatos consecutivos e ex-presidente da Câmara (2013/2015), Henrique Alves está preso desde 6 de junho. Nesta quinta-feira, 26, três assessores dele foram capturados pela Polícia Federal na Operação Lavat.

A ação é um desdobramento da Operação Manus e cumpre 27 mandados de busca e apreensão, três de prisão temporária e dois de condução coercitiva. As medidas foram determinadas pela 14.ª Vara da Justiça Federal no Rio Grande do Norte e têm como alvo, além dos assessores, familiares de Henrique Eduardo Alves.

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Foram presos três ex-assessores do peemedebista: Aluísio Henrique Dutra de Almeida, Norton Domingues Masera e José Geraldo Moura Fonseca Jr.

Estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da InterTV Cabugi em Natal, emissora na qual Henrique Alves tem participação societária.

As investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, após a deflagração da Manus, apontam que assessores e familiares de Henrique Alves, no Rio Grande do Norte e no Distrito Federal, ‘ajudavam e continuam a ajudar o ex-parlamentar na ocultação e dissimulação de valores provenientes do crime de corrupção passiva’.

Segundo a Procuradoria da República, informações obtidas com o monitoramento telefônico, aliadas a dados apreendidos em diligências de busca e apreensão na Manus, levaram à constatação de ‘efetiva existência de indícios da prática dos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa, por parte desses auxiliares’. A Procuradoria indica ainda ‘sinais do cometimento dos delitos de falsidade ideológica de documento particular e de fraude à licitação’.

Os mandados são cumpridos em Natal, Parnamirim (RN), Nísia Floresta (RN), São José de Mipibu (RN), Angicos (RN) e em Brasília (DF), nos endereços pessoais, funcionais e empresariais dos investigados.

A reportagem está tentando contato com as defesas dos investigados.

COM A PALAVRA, HENRIQUE ALVES

A afirmação de que terceiros estariam lavando dinheiro de Henrique Alves é absolutamente falsa e mentirosa. Andressa, filha de Henrique, está vendendo um imóvel de sua propriedade para pagar dívidas e garantir sua sobrevivência. A suposição de que a esposa de Henrique, Laurita, tivesse obtido documento falso sobre a sua condição de saúde é uma infâmia que atinge não apenas a ela, mas ao médico que o atende e a este advogado que jamais utilizaria de subterfúgio para enganar a Justiça. Basta uma consulta ao controle de entrada da Academia de Polícia para constatar a visita periódica de fisioterapeuta para tratamento de sua enfermidade. É lamentável que pessoas inocentes sejam envolvidas em investigação estéril e sem qualquer fundamento. A defesa apresentou resposta em que refuta com provas e documentos todas as acusações e confia na Justiça e na absolvição de seu cliente por ser inocente.

Marcelo Leal de Lima Oliveira
OAB/DF 21.932

COM A PALAVRA, A INTERTV CABUGI

A direção da Intertv Cabugi informou que Herman Ledebour é procurador e representante de Henrique Alves, sócio minoritário.  A direção reforça que a empresa sempre atuou de forma isenta em relação às investigações, noticiando o passo a passo das dos processos contra Henrique e outros investigados pela polícia federal e Ministério Público.  E embora não seja alvo do processo está à disposição pra qualquer esclarecimento

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