Assessor parlamentar vai à Justiça saber se é alvo da Lava Jato

Luiz Paulo Gonçalves de Oliveira, que trabalhou 8 anos no gabinete do senador Cícero Lucena, afirma que está sendo 'prejudicado com falsas notícias' sobre envolvimento com doleiro

Redação

27 de janeiro de 2015 | 03h00

Por Julia Affonso e Ricardo Brandt

O assessor parlamentar Luiz Paulo Gonçalves de Oliveira procurou a Justiça, na sexta-feira, 23, para saber se está sendo investigado na Operação Lava Jato e se foi denunciado pelo Ministério Público Federal. Ele afirma que vem sofrendo constrangimento ilegal e está sendo ‘prejudicado com falsas notícias’ de que teria envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, personagem central da Lava Jato.

No início de janeiro, o assessor foi nomeado para o cargo de chefe de gabinete da presidência da Câmara Legislativa do Distrito Federal. A nomeação durou 24 horas, tempo insuficiente para que ele tomasse posse. Após surgirem notícias de que ele teria recebido passagens aéreas do doleiro, Oliveira foi exonerado do cargo.

“São, portanto, acusações vazias e maliciosas, nitidamente com o propósito de prejudicar o requerente (Luiz Paulo Gonçalves de Oliveira), uma vez que desprovidas de qualquer cuidado com um cidadão que nunca teve seu caráter e integridade moral questionados”, afirma o advogado do assessor parlamentar.

Foto: Geraldo Magela/Estadão - 30.01.2006

Assessora parlamentar afirma nunca ter encontrado o doleiro Alberto Youssef (acima). Foto: Geraldo Magela/Estadão – 30.01.2006

Em um documento entregue à Justiça, a defesa do assessor parlamentar conta que ele viajou de Brasília para São Paulo a convite do cunhado, em janeiro de 2012, para participar de uma reunião. Ele diz ter pensado que as passagens teriam sido pagas pelo cunhado.

Oliveira foi assessor do senador Cícero Lucena (PSDB-PB) durante 8 anos, até ser exonerado em setembro do ano passado, após a história da passagem aérea vir à tona. O cunhado trabalhava como assessor do senador Ciro Nogueira (PP-PI), citado pelo delator Paulo Roberto Costa.

Oliveira afirma que soube que os bilhetes teriam sido custeados pela empresa Arbor Contábil, de propriedade de Meire Poza, contadora de Youssef, mais de dois anos e meio depois da viagem, em setembro de 2014. O assessor diz ainda que o doleiro não esteve presente na reunião.

“Nesse sentido, se faz necessário informar que o requerente não conhece, nunca encontrou ou sequer conversou uma única vez na vida com a pessoa dos Sr. Alberto Youssef, quiçá realizou qualquer tipo de transação comercial, financeira ou de outra espécie com aquele”, afirma o assessor no documento.

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