Assessor de Temer é acusado de pegar propina para o PMDB

Assessor de Temer é acusado de pegar propina para o PMDB

Nelson Tadeu Fillipelli, ex-vice-governador do DF, foi preso nesta terça-feira, 23, na Operação Panatenaico, que pegou também os ex-governadores José Roberto Arruda e Agenlo Queiroz

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Fábio Serapião

23 de maio de 2017 | 12h10

Tadeu Filipelli (PMDB), ex-vice-governador e atual assessor especial do presidente Michel Temer, chega à sede da Polícia Federal, em Brasília. FOTO NILTON FUKUDA/ESTADÃO

O assessor especial da Presidência da República Nelson Tadeu Fillipelli (PMDB-DF), alvo da Operação Panatenaico, deflagrada nesta terça-feira, 23, é acusado de receber propinas da empreiteira Andrade Gutierrez. A ação da PF tem como alvo as obras do Estádio Mané Garrincha e de seu entorno, no Distrito Federal. Segundo decisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Federal de Brasília, que deflagrou a Panatenaico, os crimes foram cometidos à época em ele que era vice-governador de Brasília – 2011 até 2014, governo Agnelo Queiroz.

Entre os alvos de prisão temporária na Operação Panatenaico também estão os ex-governadores do DF José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT).

Em nota, o Ministério Público Federal, em Brasília, informou que ainda foi determinada a indisponibilidade de bens de 13 envolvidos até o limite de R$ 60 milhões. O objetivo das medidas cumpridas hoje é encontrar provas de que foi constituído um cartel entre várias empreiteiras para burlar e fraudar o caráter competitivo da licitação e assegurar, de forma antecipada, que os serviços e as obras fossem realizadas por consórcio constituído pelas empresas Andrade Gutierrez e Via Engenharia.

A ação investiga uma organização criminosa que fraudou e desviou recursos das obras de reforma do Estádio Nacional Mané Garrincha para Copa do Mundo de Futebol de 2014.

Orçadas em cerca de R$ 600 milhões, as obras no estádio custaram ao fim, em 2014, R$ 1,575 bilhão. O superfaturamento, portanto, pode ter chegado a quase R$ 900 milhões.

De acordo com o Diário Oficial da União, Nelson Tadeu Filipelli, presidente do PMDB do Distrito Federal, foi nomeado como assessor de Michel Temer no dia 26 de setembro de 2016, na mesma data em que Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), alvo da Operação Patmos por supostamente receber R$ 500 mil semanais em benefício do presidente da República, ganhou seu cargo no governo federal. Ele recebia R$ 12 mil no cargo, segundo a Transparência do Governo Federal, e é alvo de bloqueio de bens de R$ 6 milhões, além da prisão temporária decretada pelo juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara do Distrito Federal. Filipelli também foi deputado federal entre os anos de 2003 e 2007.

A reconstrução do antigo Mané Garrincha foi estimada inicialmente em R$ 690 milhões, mas acabou custando cerca de R$ 1,5 bilhão, o que fez com que o estádio se tornasse o mais caro entre os 12 que receberam os jogos da Copa do Mundo de 2014. O Ministério Público Federal afirma que o dinheiro saiu dos cofres da Terracap, empresa pública do Governo do Distrito Federal, cujo capital é formado da seguinte forma: 51% do GDF e 49% da União.

Segundo a decisão do juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal, há indícios de que Fillipelli tenha feito ‘diversos pedidos’ de propina à Andrade Gutierrez. “Inclusive recebera propina para o seu partido PMDB, entre 2013 e 2014, tendo recebido valores ilícitos também da Construtora Via Engenharia tudo em função da realização das obras e na execução do contrato licitatória em que as duas Empresas saíram vencedoras e executaram a obra hiperfaturada”, anota o magistrado.

De acordo com o Ministério Público Federal, o assessor de Temer – à época em que era vice de Agnelo Queiroz (PT-DF) – tinha como operador e interlocutor com as construtoras o ex-subsecretário da Fazenda do Distrito Federal, Afrânio Roberto de Souza Filho (Governo Joaquim Roriz). Em delação premiada, Carlos José de Souza e Rodrigo Leite, da Andrade Gutierrez, revelaram que a construtora realizou 19 pagamentos de propina, no percentual de ‘4% de cada medição’ ao ex-agente público.

COM A PALAVRA, O PMDB

A reportagem entrou em contato com o partido, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.