Assédio de brasileiros na Rússia alcança 134,3 mil tuítes e 74 posts por minuto, mostra FGV-DAPP

Assédio de brasileiros na Rússia alcança 134,3 mil tuítes e 74 posts por minuto, mostra FGV-DAPP

Levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas revela como a conduta do grupo ganhou intensa repercussão nas redes sociais

Julia Affonso e Luiz Vassallo

21 Junho 2018 | 15h02

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O assédio de um grupo de torcedores brasileiros contra uma mulher na Rússia ganhou repercussão nas redes sociais e chegou a gerar 74 postagens no Twitter por minuto na noite de terça-feira, 19. Entre as 16h de sábado, quando o vídeo do assédio começou a circular, e as 16h desta quarta-feira, 20, o assunto mobilizou 134,3 mil tuítes no país. O levantamento foi promovido pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-DAPP).

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Além do pico de menções registrado às 22h de terça, com 4,4 mil postagens em uma hora, outro um pouco menor ocorreu ao meio-dia desta quarta, com 3,8 mil postagens por hora (64 postagens por minuto). Contribuíram para manter o gradativo interesse sobre o assunto a identificação dos participantes do vídeo, o pedido de desculpas de um deles, na quarta, 20, e a demissão de outro nesta quarta-feira, destaca a FGV-DAPP.

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ReproduçãoA Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV DAPP) busca desenvolver metodologias inovadoras de análise de políticas públicas, com a aplicação intensiva de novas tecnologias.

Na noite de terça, 19, quando do maior pico sobre esse assunto, as publicações abordavam especialmente três aspectos do vídeo: o sentimento de ‘vergonha por ser brasileiro’, em função do comportamento dos turistas na Rússia; a contínua divulgação de informações pessoais sobre os torcedores identificados no vídeo; e a crítica à percepção de que os homens que ofenderam a mulher são ‘infantis’ ou ‘imaturos’ e estavam apenas ‘brincando’, sob o argumento de que a atribuição de infantilidade e imaturidade a homens que praticam o machismo ajuda a amenizar (e a naturalizar) o comportamento machista.

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Nesta quarta, 20, a divulgação da demissão de um dos identificados no vídeo contribuiu para o pico de menções do início da tarde.

Também permanece crescente a discussão que atribui caráter racista ao episódio. Cerca de 6,8 mil postagens caracterizam o comportamento dos participantes do vídeo, além de machista e misógino, como um caso de racismo devido à referência feita à cor da genitália da mulher.

Um pico de menções nesse recorte do parte do debate ocorreu às 20h de terça-feira (19), quando alcançou 664 postagens por hora (ou 11 postagens por minuto), destaca FGV-DAPP.

As postagens com maior repercussão que abordam o racismo foram feitas por perfis femininos: uma compartilha a charge do cartunista Gilmar (3,5 mil retuítes); outra defende a punição dos rapazes (1,4 mil retuítes); a terceira critica os padrões impostos ao corpo das mulheres (850 retuítes); e a quarta trata das possíveis consequências do episódio para os rapazes envolvidos (560 retuítes).
Debate regionalizado. O Estado de São Paulo concentrou 30,9 mil postagens (ou 23% do debate), seguido do Rio de Janeiro, com 29,5 mil (22%); Minas Gerais, com 10,7 mil (8%); Rio Grande do Sul, 9,4 mil (7%); e Pernambuco, estado de um dos integrantes do vídeo, com 8 mil postagens (6%).

As hashtags mais usadas no debate foram #machistasnacopa e #nãopassarão, que aparecem em 5,4 mil postagens (4% do debate). O emoji mais usado é o do rosto aborrecido, que aparece em 2,7 mil tuítes (2% do debate). Já as palavras mais usadas são “russa”, que aparece em 52,4 mil publicações (ou 39% do debate), seguida de “vídeo”, em 45,6 mil (ou 34%); “brasileiros”, em 44,3 mil (ou 33%); e “mulher” e “rússia”, em 28,2 mil (ou 22%) cada.

Dentre as postagens com maior repercussão, destacam-se um tuíte que traz informações sobre um dos rapazes que aparece no vídeo em questão; um que critica a falta de consideração dos torcedores pela cordialidade de pessoas de outros países, com mais de 7,2 mil compartilhamentos; um que identifica mais um dos rapazes que aparece no vídeo, com mais de 4,4 mil compartilhamentos; um que traz uma charge crítica comparando o episódio à derrota do Brasil para Alemanha na Copa de 2014, com mais de 3,5 mil compartilhamentos; e um que insinua que a viagem dos torcedores à Rússia teria sido custeada com verba pública, com mais de 3,2 mil compartilhamentos.

Destacam-se, com alguma repercussão, postagens de influenciadores que relativizam desde a atenção dado ao episódio (1,9 mil compartilhamentos) até o caráter ofensivo do comportamento dos torcedores (1,1 mil compartilhamentos) e a gravidade do caso, que seria, na verdade, somente uma brincadeira