Às vésperas da votação de parecer pelo impeachment, comissão da Assembleia do Rio concluiu relatório que endossa destituição de Witzel

Às vésperas da votação de parecer pelo impeachment, comissão da Assembleia do Rio concluiu relatório que endossa destituição de Witzel

Documento formulado pela comissão formada para acompanhar o avanço da pandemia no Estado reforça as suspeitas de irregularidades na revogação, pelo governador, da desqualificação da organização social Unir, ligada ao empresário Mário Peixoto; relatório foi enviado ao presidente da Alerj

Rayssa Motta e Fausto Macedo

17 de setembro de 2020 | 11h55

Em meio à votação, nesta quinta-feira, 17, do relatório que pede o impeachment do governador afastado do Rio, Wilson Witzel (PSC), um segundo documento formulado pela comissão formada para acompanhar a pandemia de covid-19 no Estado reforça as suspeitas de irregularidades no governo.

Documento

Em 141 páginas, o deputado Renan Ferreirinha (PSB), relator da comissão, endossa a tese de que Witzel usou o cargo para revogar a desqualificação do Instituto Unir Saúde e favorecer a organização social suspeita de irregularidades em contratos firmados com a Secretaria de Saúde fluminense. O despacho do governador, assinado em março, derrubou uma resolução administrativa e permitiu que a OS pudesse voltar a contratar com o Poder Público – embora tivesse sido excluída do rol de prestadoras aptas em razão de irregularidades na prestação de serviços em ocasiões anteriores.

“Ao revogar a desqualificação da Unir, mesmo diante da comprovação nos autos do processo administrativo que os serviços prestados não atendiam adequadamente à população, o Governador Wilson Witzel justificou sua decisão afirmando que a manutenção da execução do contrato pela contratada Unir “traria maior vantagem para administração”. De fato, há evidências de que a manutenção do contrato seria vantajosa sim, mas para interesses privados de atores públicos e empresários”, diz um trecho do relatório concluído na segunda-feira, 14.

O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). Foto: Wilton Júnior / Estadão

O documento foi enviado pela ‘Comissão Covid-19’ para o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, André Ceciliano (PT), com sugestão expressa para que seja encaminhado a órgãos de investigação e controle e à comissão mista que será formada para processar o impeachment caso o parecer favorável à destituição do governador seja aprovado hoje pela Casa.

Além disso, o relatório pede que quatro nomes ligados à Unir sejam incluídos como investigados nas apurações envolvendo irregularidades entre a organização social e o governo fluminense. São eles: Bruno José da Costa Kopke Ribeiro, diretor médico da Unir e doador da campanha de Wiltzel; José Carlos Rodrigues Paes, ex-presidente do Conselho da Unir nomeado, em julho, para a Superintendência de Atenção Especializada, Controle e Avaliação da Secretaria Estadual de Saúde; Luiz Cláudio da Costa, diretor administrativo-financeiro da Unir descrito como ‘manda-chuva’ da organização social; e o advogado Antonio Vanderler de Lima, apontado como ‘amigo íntimo’ do governador, doador da campanha de Witzel e pai do advogado que representa a Unir em contratos com o governo.

Ao desembarcar do helicóptero na Ponte Rio-Niterói, o governador Wilson Witzel (PSC) comemorou a ação que culminou na libertação dos reféns e na morte do sequestrador do ônibus em agosto de 2019. Foto: Antonio Lacerda/EFE

A desqualificação da Unir ensejou um dos pedidos de impeachment de Witzel depois que a Operação Favorito prendeu o então subsecretário de Saúde, Gabriell Neves, ‘número dois’ da pasta, e trouxe a público trechos de interceptações telefônicas obtidas pelo Ministério Público Federal que sugeriam o pagamento de propina em troca do favorecimento da OS.

“O zero 1 do palácio assinou aquela revogação da desclassificação da Unir”, disse Luiz Roberto Martins Soares, apontado pelos procuradores como sócio oculto do empresário Mário Peixoto na organização social.

A relação entre Peixoto e Witzel continuou a ser investigada e, na Operação Tris In Idem, que afastou o governador do cargo por 180 dias, o empresário foi apontado como líder de um dos três grupos ocultos supostamente instalados na máquina pública do Rio de Janeiro para se beneficiar do loteamento de compras e contratações.

Eleito na esteira anticorrupção e na onda bolsonarista, Witzel nega as acusações de participação no esquema de desvios da Saúde no Rio. “Fui eleito tendo como pilar o combate à corrupção e não abandonei em nenhum momento essa bandeira. E é isso que, humildemente, irei demonstrar para as senhoras deputadas e senhores deputados”, disse, após a abertura do processo de impeachment.

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