As revelações que põem Lobão na fogueira da Lava Jato

As revelações que põem Lobão na fogueira da Lava Jato

Ex-presidente da Andrade Gutierrez Energia apontou presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado como suposto coordenador de propinas para o PMDB

Mateus Coutinho, Fábio Serapião e Fábio Fabrini

16 de fevereiro de 2017 | 12h26

O senador Edison Lobão, ex-ministro de Minas e Energia. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O senador Edison Lobão, ex-ministro de Minas e Energia. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-presidente da Andrade Gutierrez Energia e delator da Lava Jato, Flávio David Barra, foi quem apontou o senador Edison Lobão (PMDB/MA) como o suposto responsável por coordenar o recebimento de propinas para o PMDB envolvendo as obras de Belo Monte e da usina nuclear de Angra 3.

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Segundo o delator, foi Lobão quem indicou seu filho Márcio Lobão e, posteriormente, o ex-senador Luiz Otávio Campos – apadrinhado do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) – para receber os pagamentos ilícitos envolvendo as obras de Belo Monte e da usina nuclear de Angra 3.

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Tanto Márcio Lobão quanto Luiz Otávio foram alvos de mandados de busca e apreensão da Operação Leviatã, deflagrada nesta quinta-feira,16, por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.

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Segundo o relato, o filho de Lobão e o ex-senador Luiz Otávio foram apresentados às empresas que participavam do consórcio como sendo os responsáveis por arrecadar as propinas do PMDB.
Em relação à propina de Belo Monte, as empresas participantes teriam acertado o pagamento de 1% do valor do contrato para o PT e para o PMDB.

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O responsável por arrecadar os valores do PT seria o então tesoureiro do partido João Vaccari Neto, já preso e condenado na Lava Jato, e, por parte do PMDB, o responsável seria o senador Edison Lobão.
Parte da propina, segundo Barra, foi paga por meio de doações oficiais aos diretórios nacionais das duas siglas em 2010, 2012 e 2014 e uma parcela, de R$ 600 mil, foi entregue em dinheiro na residência de Márcio Lobão no Rio, no final de 2011.

Aditivo. Flávio Barra contou ainda que, de 2013 até meados de 2014, os pagamentos de propinas foram suspensos devido às discussões sobre um aditivo no contrato de Belo Monte. Encerradas as discussões e fechado o aditivo, Edison Lobão teria avisado Barra: “Nesse contexto, Edison Lobão disse ao declarante que o intermediário do recebimento de vantagens indevidas destinadas ao PMDB não mais seria Márcio Lobão, mas sim Luiz Otávio Campos, ex-senador pelo PMDB-PA”, relatou o executivo em sua delação.

Com essa delação, e outros elementos colhidos ao longo da investigação, a Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito no Supremo para investigar se integrantes da cúpula do PMDB receberam propina pela obra da usina de Belo Monte. Foi no âmbito deste inquérito que a Operação Leviatã foi deflagrada.

As buscas da PF foram feitas nas residências e escritórios de Márcio Lobão e Luiz Otávio. Os investigados podem responder por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

No inquérito, são investigados, além de Lobão e Barbalho, os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

O senador Edison Lobão e seu filho Márcio Lobão – este alvo da Operação Leviatã -negam taxativamente envolvimento com esquema de propinas para o PMDB.

COM A PALAVRA, O PMDB:

“O PMDB apoia todas as investigações e vê como positiva qualquer medida do STF que possa tornar célere a conclusão dos processos.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE EDISON LOBÃO:

“É do conhecimento de todos, porque amplamente divulgado pelos meios de comunicação, o fato de que um dos filhos do Senador Edson Lobão,foi alvo, hoje, de uma operação da Polícia Federal, autorizada pela Justiça.

À parte o constrangimento e a sensação de injustiça que esse tipo de ação provoca em quem, como o filho do Senador, tem a consciência tranquila e nada há tem a temer, exceto o julgamento precipitado a que é induzida a opinião pública é necessário uma repulsa veemente a esta ação desproporcional.
A defesa do Senador ressalta a indignação diante da agressão e da injustiça sofridas pelo filho do Senador.

Mais uma vez, o que move a arbitrariedade é unicamente a palavra do delator que se vale da delação premiada para ferir a honra das pessoas, em troca de benefícios.

Nenhuma prova, nenhum indício, nada que justifique ação tão desproporcionada e injusta. Mas é bom que se investigue, que se apure, para provar a improcedência de acusação tão descabida.

Evidentemente somos a favor de que se apure toda e qualquer ilicitude na vida pública. E nesse sentido, a Operação Lava Jato conta e contará com o apoio de toda a sociedade desde que sem os excessos que viraram regra.Os 2 primeiros inquéritos que foram abertos em relação ao Senador na lava jato ja foram arquivados, pois comprovadamente as delações eram falsas. Não havia nenhum motivo para ato tão invasivo e que constrange toda a família.

Brasília, 16 de fevereiro de 2017

Kakay”

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