O depoimento de Ivo Dworschak, executivo da OSX, na operação que prendeu Mantega

O depoimento de Ivo Dworschak, executivo da OSX, na operação que prendeu Mantega

Veja ponto a ponto o depoimento de ex-dirigente da empresa de Eike Batista, que afirma ter sido 'punido internamente'

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Mateus Coutinho

22 de setembro de 2016 | 11h31

Ivo Dworschak Filho. Foto: Reprodução

Ivo Dworschak Filho. Foto: Reprodução

O executivo ligado à OSX Ivo Dworschak Filho, representante da empresa no Consórcio Integra Offshore, prestou depoimento espontâneo à força-tarefa da Operação Lava Jato em 2 de maio de 2016. As declarações de Ivo Dworschak Filho fazem parte da investigação que deflagrou a Operação Arquivo X, 34ª fase da Lava Jato.

Em 26 de julho de 2012 o Consórcio Integra Offshore, formado pelas empresas Mendes Júnior e OSX, firmou com a Petrobrás contrato no valor de US$ 922 milhões, para a construção das plataformas P-67 e P-70 (unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência de petróleo voltadas à exploração dos campos de pré-sal).

“Meu comparecimento foi espontâneo, eu vim na condição de testemunha, acredito nessas 10 Medidas que vocês colocaram. Eu também assinei como 10 Medidas de combate à Corrupção. São ações de cidadania. Eu presenciei uma série de atos que eu considero irregulares. Participei de algumas gestões nesses projetos na área de Óleo e Gás e vi coisas que realmente eu considero irregulares”, afirmou.

“Fiz, na época, os meus depoimentos. Fui punido, inclusive, internamente na empresa por conta dessa falta de alinhamento com a visão de cima. Eu acho que agora é chegado o momento nessa operação em que se está passando o Brasil a limpo, considero importante até dar essa declaração, ajudar a força-tarefa a identificar este tipo de mecanismo e que possa sanear de uma vez por todas. O Brasil vem sangrando. Nós, como cidadãos, estamos sofrendo violentamente. Inaceitável. Trago alguns fatos, algumas peças desse mosaico que possam ajudar a força-tarefa a montar o grande mosaico e possa desarmar isso para o futuro.”

OS PONTOS DO DEPOIMENTO DE IVO DWORSCHAK

– a contratação da Mendes Jr. e da OSX, em meados de 2012, para a montagem dos módulos e integração das plataformas FPSO´s P67 e P70, ocorreu mediante fraude à licitação, viabilizada pelo pagamento de vantagens indevidas ao grupo político de José Dirceu de Oliveira e Silva e a funcionários da Petrobras, como José Antônio de Figueiredo?

– participaram e/ou tinham conhecimento do esquema ilícito executivos da Mendes Jr., como Luiz Claudio Machado Ribeiro (Diretor de Desenvolvimento de Negócios), Ruben Maciel da Costa Val (Diretor de Negócios Industriais), e Victório Duque Semionato (Diretor Vicepresidente de Engenharia)? executivos e funcionários da OSX, como Eduardo Costa Vaz Musa (Diretor de Construção entre 2009 e 2012), Luiz Eduardo Carneiro (DiretorPresidente), Danilo Souza Baptista (sucessor de Eduardo Costa Vaz Musa e antecessor do depoente na Diretoria de Construção), Marcelo Henrique Monico (assessor de
Danilo Souza Baptista) e Eike Fuhrken Batista (presidente do Conselho de Administração)?

– o pagamento das vantagens indevidas foi viabilizado por contratos ideologicamente falsos celebrados entre o Consórcio Integra e as empresas Chemtech Serviços de Engenharia e Software Ltda., VWS Brasil Ltda. [Veolia], e do Grupo Tecna/Isolux, como a Isolux Projetos e Instalações Ltda.

– a Chemtech, empresa do Grupo Siemens foi contratada pelo Consórcio Integra por indicação do então Diretor de Engenharia da Petrobras José Antônio de Figueiredo. Foram celebrados dois contratos superfaturados entre as empresas. Enquanto a prática internacional revelava subcontratações, como a da Chemtec, com pagamentos na ordem de 2,5 a 3,5% do valor do contrato principal, os valores pactuados pelo Consórcio Integra com a Chemtech orbitavam em torno de 8 a 12% do valor do contrato principal (um dos contratos da Chemtech tinha valor inicial de R$ 57 milhões e, após aditivos, chegou a R$ 70 milhões). Na relação da Petrobrás com o Consórcio Integra, José Antônio de Figueiredo o pressionava, de forma inusual, para que os pagamentos do consórcio à subcontratada Chemtech estivessem em dia?

– em relação à Veolia, também foram celebrados dois contratos superfaturados com o Consórcio Integra, para permitir a geração de valores para o pagamento de vantagens indevidas. Além disso, os contratos sofreram, durante sua execução, ganho significativo de valor: a primeira contratação apresentava valor inicial R$ 45 milhões, passando, após aditivos, para R$ 94 milhões? e a segunda contratação, era inicialmente de R$ 37 milhões, tendo passado para R$ 72 milhões após aditivos?

– já a Isolux, foi contratada pelo Consórcio Integra para a prestação de serviços de outsourcing de equipamentos e serviços, atividade desnecessariamente terceirizada, já que o próprio consórcio teria condições de realizar. Tanto era assim que, de fato, não houve prestação de serviços, sendo os relatórios anexados às suas faturas produzidos pelo próprio Consórcio Integra e encaminhados às empresas para que sua logo fosse adicionada. O Grupo Tecna/Isolux, representado por Luiz Eduardo Neto Tachard (presidente da empresa) e Júlio César Oliveira Silva (diretor da Isolux), não apenas recebeu valores espúrios do Consórcio Integra, como discutiu com os representantes da Mendes Jr., Luiz Cláudio Machado Ribeito, e da OSX, Ivo Dworschak, acerca do pagamento de tributos decorrentes da emissão de faturas fraudulentas, o qual foi, ao fim, absorvido pelo consórcio por indicação do próprio presidente do Conselho de Administração da OSX, Eike Fuhrken Batista.

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DO PT:

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou nesta quinta-feira de manhã que a prisão do ex-ministro Guido Mantega é “arbitrária, desumana e desnecessária”. De acordo com ele, a 34ª fase da Operação Lava Jato, denominada Arquivo X, deveria se chamar “Operação Boca de Urna”, uma vez que acontece às vésperas das eleições municipais. Falcão lembrou que Mantega é ex-ministro, tem endereço fixo e nunca se negou a dar esclarecimentos, sendo assim midiática a prisão em um hospital.

Na opinião do presidente do PT há também um “excesso de coincidências” nas ações da Lava Jato. Além da proximidade das eleições para a deflagração da nova fase, ele citou o fato de o juiz Sérgio Moro ter recebido a denúncia contra o ex-presidente Lula anteontem (20/9), no mesmo dia em que Lula realizava uma teleconferência no lançamento da campanha “Stand With Lula” (Eu defendo Lula) organizada pela Confederação Sindical Internacional (UTC/CSI) em Nova York.

Sobre as suposições apresentadas hoje, de que haveriam repasses de verbas para o PT, a resposta do Partido dos Trabalhadores é a seguinte:

“O PT refuta as ilações apresentadas. Todas as operações financeiras do partido foram realizadas estritamente dentro dos parâmetros legais e posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral.”

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