As razões do sucesso empresarial nem sempre são tão geniais

As razões do sucesso empresarial nem sempre são tão geniais

Marco França*

12 de março de 2021 | 03h30

Marco França. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Sempre temos boas estórias de sucesso no mundo empresarial repletas de enfeites e narrativas perfeitas. O sobrepeso à genialidade do fundador ou à sua visão de futuro sempre estão presentes. O outro lado da mesma moeda é a sua avaliação e percepção de risco nas tomadas de decisão e a consequência disto no sucesso do negócio. É muito comum, o desconhecimento parcial ou total de determinados riscos operacionais e de mercado e, paradoxalmente, ao ignorar tais variáveis na equação, o empresário tem sucesso onde muitos fracassam. Não queremos diminuir ou menosprezar a genialidade do empresário e do empreendedor. Aliás, existe muita raça e resiliência para tocar qualquer coisa no Brasil. Nossa provocação se refere ao perfil típico do empresário, com uma pegada de negócios forte e apetite ao risco, ele vai à luta.

O estágio que se sucede ao crescimento inicial, é uma etapa composta por uma combinação de governança corporativa e planejamento estratégico. Esta combinação de time e metodologia e controle é necessária para a segunda onda de crescimento que normalmente é menos trivial. Nesta etapa o oceano está menos “azul” e verificamos mais concorrência e menos margem, em geral.

A busca de time externo, formação de conselho, sucessão da segunda geração, definição de papéis e autonomias são alguns dos temas que aparecem nesta importante fase da vida da empresa. Muito comum também verificarmos neste momento se ela pode ser uma grande consolidadora do setor ou um alvo “desejável” e, a partir daí, definir se uma série de ações para a execução dos objetivos definidos pelos sócios.

A preocupação com regras e proteção dos sócios e transparência da empresa para relacionamento com bancos e investidores também vêm a reboque neste estágio. Transformações da empresa em sociedade aberta, acordos de acionistas também passam a fazer parte da nova rotina empresarial, envolvendo mais conselheiros independentes, executivos de mercado, além do envolvimento familiar no negócio.

Todas estas dinâmicas fazem parte do ciclo de amadurecimento da companhia, onde a decisão educada passa a ter mais peso do que a decisão isolada e muitas vezes genial do fundador. Não deixar o processo burocrático, mas perceber a necessidade de mudança faz parte da análise crítica de quem fundou o negócio.

A hora de pedir ajuda, tanto na vida pessoal quanto na empresarial, nem sempre é trivial. Quando tudo isto for óbvio, algum dinheiro já foi deixado na mesa. Entender o momento pessoal, empresarial e do mercado, sem viés e ego, é uma tarefa desafiadora do empresário que já completou um ou mais ciclos de sucesso em um mercado em constante mutação. As exigências mudam e a chave do sucesso também.

*Marco França é sócio fundador da Auddas

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