As provas da Lava Jato contra Zelada e o lobista do PMDB

Seis réus são acusados de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas; saiba o que há contra cada um

Redação

10 de agosto de 2015 | 16h18

Jorge Zelada. Foto: Fábio Motta/Agência Estado

Jorge Zelada. Foto: Fábio Motta/Agência Estado

Atualizada às 18h17

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricado Brandt, enviado especial a Curitiba

Em despacho que aceitou a denúncia da Procuradoria da República contra o ex-diretor da Petrobrás Jorge Luiz Zelada (Internacional), o lobista do PMDB João Henriques e outros quatro investigados, o juiz federal Sérgio Moro elencou os argumentos que formam a base da acusação. Os seis réus são acusados de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A Procuradoria aponta que houve pagamento de propinas que somaram US$ 20,8 milhões sobre um contrato de afretamento do navio-sonda Titanium Explorer. O acordo foi celebrado entre a sociedade americana Vantage Drilling com a Petrobrás no valor de US$ 1,816 bilhão.

A propina inicial seria de US$ 31 milhões. No entanto, brigas societárias diminuíram o valor, pago em duas parcelas – uma de US$ 10,8 milhões para Zelada, Eduardo Musa, ex-funcionário da Petrobrás, e lobistas e outra de US$ 10 milhões, para o PMDB, segundo o Ministério Público Federal.

Jorge Luiz Zelada sucedeu Nestor Cerveró no comando da Diretoria da Área Internacional da Petrobrás, em 2008 – Cerveró foi condenado a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro e responde a outra ação penal.

O Ministério Público Federal descobriu duas contas secretas de Zelada no Principado de Mônaco, uma delas com saldo sequestrado de 10.294.460,10 euros.

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A Procuradoria afirma que a superpropina de US$ 31 milhões seria dividida em duas parcelas no valor de US$ 15,5 milhões cada. Uma fatia, segundo a Procuradoria, era destinada ao PMDB, mas brigas societárias durante o negócio do navio-sonda Titanium Explorer fizeram reduzir para US$ 10 milhões o montante que teria, afinal, chegado ao principal partido da base aliada do governo Dilma Rousseff.

Segundo o Ministério Público Federal, os denunciados atuaram desta forma, passo a passo.

1) Zelada e o ex-gerente geral da área internacional da Petrobrás Eduardo Musa atuaram em conjunto para viabilizar a contratação da empresa Vantage Drilling;

2) O executivo chinês Nobu Su, presidente da empresa chinesa TMT, proprietária do navio afretado pela Vantage à Petrobrás, ficou responsável pelo pagamento da propina;

3) O lobista Hamylton Padilha, representante da Vantage Drilling no Brasil, foi o responsável por intermediar a negociação do oferecimento, promessa e pagamento da vantagem indevida;

4) O lobista Raul Schmidt Felippe Junior apresentou João Henriques para iniciar as tratativas relacionadas ao pagamento da propina relativa à parte do PMDB e recebeu parte da vantagem indevida paga no exterior;

5) O lobista João Henriques, ligado ao PMDB, atuou como preposto de Zelada, ficando responsável por representar os interesses do principal partido da base aliada do governo e do ex-diretor da estatal no recebimento da propina.

A base da denúncia está alicercada em oito pontos:

1) 

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5)

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6) A documentação relativa às transações ilícitas, como do

 e das  relativas ao pagamento da propina;

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8) Documentação consistente

Documento

 entre os envolvidos relativamente à contratação em questão, em encontros pessoais, em viagens ao Brasil de Nobu Su.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ZELADA

Aguardaremos a citação do Zelada para apresentação da defesa, refutando todas as acusações.

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