As propinas para enterrar a Castelo de Areia, segundo Palocci

As propinas para enterrar a Castelo de Areia, segundo Palocci

Leia o anexo da delação do ex-ministro que serviu como base para a deflagração da Operação Appius; a investigação realizou busca, na manhã desta quinta, 7, na casa do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Cesar Asfor Rocha

Pepita Ortega e Fausto Macedo

07 de novembro de 2019 | 12h42

Palocci foi preso em setembro de 2016 na Operação Omertà, e condenado pelo então juiz da Lava Jato Sérgio Moro a 12 anos e dois meses de reclusão. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

Segundo a delação do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma), que serviu como base para o desencadeamento, na manhã desta quinta, 7, da Operação Appius, o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Cesar Asfor Rocha teria recebido R$ 5 milhões em troca da liminar que suspendeu, em 2010, a ação penal referente à Operação Castelo de Areia.

A residência do ex-ministro, em Fortaleza, foi um dos quatro endereços-alvo da Polícia Federal na manhã desta quinta, em investigação sobre supostas propinas pagas pela empreiteira Camargo Corrêa a agentes públicos com o objetivo de suspender e anular a ‘Castelo de Areia’.

O advogado que representa a empreiteira, Celso Vilardi, reagiu às buscas da Polícia Federal realizadas nesta manhã e disse que ‘o lugar do sr. Palocci é na cadeia’.

Desencadeada em abril 2019, a operação investigava suposto esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e repasses ilícitos para políticos, não só em épocas eleitorais, envolvendo três executivos da empreiteira.

Palocci relatou ‘a promessa e o repasse fragmentado de R$ 50 milhões por parte do Grupo Camargo Corrêa, às campanhas do PT no pleito do ano de 2010 e para o qual concorrera a ex-presidente Dilma Rousseff, com objetivo de obter auxílio do Governo Federal na anulação da Operação Castelo de Areia junto ao Superior Tribunal de Justiça’.

“A ajuda que o governo iria dar consistia em fomentar no ex-ministro Cesar Asfor Rocha a expectativa de ser o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal”, registra um dos anexos da delação do ex-ministro.

O ex-ministro Cesar Asfor. Foto: André Dusek / Estadão

Em 2010, então presidente do STJ, Asfor concedeu liminar durante recesso do Judiciário, para suspender a ação penal decorrente da operação.

Segundo Palocci, o ex-ministro teria recebido R$ 5 milhões em uma conta na Suíça em troca da decisão, diante da ausência de sua indicação para o STF.

Em 2011, a liminar de Asfor foi confirmada pelo STJ, que arquivou o caso sob argumento de que o início do inquérito teve base em denúncia anônima.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO QUE REPRESENTA A CAMARGO CORRÊA

O criminalista Celso Vilardi, que representa a empreiteira Camargo Corrêa, disse que ‘o lugar do sr. Palocci é na cadeia’.”A partir de agora, de forma incansável, comprovaremos a mentira e exigiremos um processo contra o sr. Palocci por denunciação caluniosa e o retorno dele à prisão, que é o seu lugar”, indicou.

“Eu considero que essa operação é um verdadeiro absurdo porque a delação do sr. Palocci não encontra respaldo sequer nas datas reais”, afirma Celso Vilardi. “Ele mentiu sobre a data da liminar.”

“É espantoso que uma delação recusada pelo Ministério Público Federal de Curitiba, considerada a ‘delação do fim da picada’, possa gerar buscas e apreensões, sem qualquer elemento de corroboração e com uma narrativa que não guarda relação nem mesmo com as datas.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ASFOR

“Não é verdade que o escritório César Asfor Rocha Advogados tenha sido alvo de busca e apreensão, como se divulgou. Palocci dissemina mentiras com base no que diz ter ouvido falar. Por falta de consistência e provas, essa mesma ‘delação’ foi recusada pelo Ministério Público Federal.

Pelas falsidades, agora repetidas, o ex-ministro César Asfor Rocha registrará notícia-crime na Procuradoria-Geral da República e moverá ação penal contra o delinquente, além de ações cíveis por danos causados à sua imagem e à do escritório.”

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