As pessoas têm que se adaptar, se educar e aprender

As pessoas têm que se adaptar, se educar e aprender

Fabian Valverde*

17 de fevereiro de 2021 | 10h03

Fabian Valverde. Foto: Divulgação

“As pessoas têm que se adaptar. A revolução tecnológica não pode ser interrompida ou desacelerada. Vai acontecer de qualquer maneira. Não podemos pará-la. Temos que nos educar, temos que aprender”. Disse Masayoshi Son, CEO do Softbank na sua recente entrevista no Fórum Econômico Mundial de Davos.

No relatório The Future of Jobs Report 2020, o Fórum Econômico Mundial afirma que nos próximos cinco anos, 50% de todos os trabalhadores vão precisar de qualificação. Esse mesmo relatório destaca um aumento no número de empregos que exigem inovação e criatividade, assim como habilidades de tecnologia da informação.

A sua empresa não pode e não deve ficar de fora desse movimento. Como empresário e gestor, uma das suas preocupações deve ser construir um ecossistema forte e conectado, comprometido com qualificação de profissionais e formação de novos talentos.

Reserve um tempo para mapear o cenário de empregos do seu segmento, a evolução cultural que deve ser gerada no seu quadro de colaboradores e a influência que a tecnologia já exerce no relacionamento com os seus clientes. Os seus profissionais certamente já estão preocupados com aprendizado constante e evolução das habilidades digitais. Cabe à empresa criar o ambiente favorável a essa adaptação constante.

Vamos trazer à tona essa discussão usando um exemplo claro? Ainda na entrevista do Masayoshi Son, ele destaca que 11% do PIB dos EUA e 15% do PIB da China estão associados à logística. Além disso, destaca que em dois anos a produção massiva de veículos autônomos será realidade. Esses veículos sequer terão volante. Você consegue imaginar o tamanho da mudança para os trabalhadores desse segmento?

Imagina os milhões de motoristas que terão que se adaptar à nova realidade. Imagina que o custo médio de entrega de US $5,00 de uma encomenda pode diminuir 10 vezes, chegando a alcançar menos de US$0,50. Essa ruptura gerada por tecnologia afetará não só os motoristas, como toda uma cadeia de entregadores, taxistas, prestadores de serviços associados ao Uber e até mesmo a pizzaria do bairro que terá uma entrega mais barata. Se a previsão é que em 02 anos os veículos autônomos tenham produção massiva, o que você está fazendo para se preparar para essa nova realidade agora?

Várias empresas já estão nesse movimento de preparação. Segundo o relatório Empregos em Alta do LinkedIn que avaliou as posições e cargos que tiveram o maior crescimento entre abril e outubro de 2020 em relação ao mesmo período de 2019, os cargos em tecnologia têm o seu merecido destaque. A tecnologia é uma das categorias de empregos que manteve um crescimento constante em 2020, sendo 20% dos cargos abertos para funções remotas.

O movimento a seguir está claro. Fica a sugestão de não só dedicar o tempo e recursos para se preparar para as mudanças, como também preparar a cultura digital para melhor aproveitar essa onda que já começou há pelo menos cinco anos e que segue alterando significativamente a relação entre pessoas e organizações.

*Fabian Valverde é CEO da Paketá Crédito e sócio da Auddas

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.