As mudanças de hábitos alimentares e seus reflexos no mercado plant based brasileiro

Anderson Rodrigues*

23 de outubro de 2021 | 03h15

É fato que, com o passar do tempo, alguns hábitos e costumes comecem a se adaptar a própria necessidade da sociedade. A alimentação é um exemplo. As pessoas estão cada vez mais conscientes de que os alimentos à base de vegetais são mais saudáveis para elas e sustentáveis para o planeta. Com a evolução da tecnologia, os produtos plant-based têm conseguido entregar sabor e saúde, fazendo com que o público tenha uma mudança de forma prazerosa.

Uma pesquisa realizada em 2020 pelo Ibope e coordenada pelo The Good Food Institute (GFI) mostrou que 39% dos brasileiros já consomem alternativas vegetais em substituição às opções animais pelo menos três vezes por semana. As vendas de leites vegetais chegaram a R$ 636 milhões no mesmo ano no Brasil, com projeção de crescimento de 49% ao ano, até 2024, dos leites que não usam soja, como os de coco, amêndoas, aveia e castanha-de-caju. Já os produtos substitutos de carne animal chegaram a R$ 418,7 milhões no ano passado – alta de 69,9% em cinco anos, com projeção de atingir R$ 666,5  milhões em 2025.

Mas será que a busca pelo saudável e bem-estar dos animais são os únicos fatores que contribuem para um crescimento tão expressivo? A conscientização, claro, faz parte do processo. Afinal, é perceptível um número maior de famosos e atletas que aderem ao estilo de vida vegano e compartilham suas experiências nas redes sociais. Além disso, muitas pessoas estão descobrindo mais alergias e intolerâncias a produtos de origem animal, desencadeando a procura por outras alternativas. Dessa forma, os principais consumidores tornam-se pessoas que buscam, sim, uma alimentação mais saudável, veganos e vegetarianos, mas também inclui intolerantes a lactose e alérgicos a proteína do leite.

Mulheres entre 25 e 45 anos da classe ABC+ ainda são a maioria, mas ao longo dos últimos anos esse perfil tem se modificado, tornando-se mais jovem e abrangendo também pessoas com menor poder aquisitivo, visto que as indústrias têm aumentado a oferta com opções mais acessíveis.

O reflexo disso pode ser notado não só nos números de mercado como também na própria população. De acordo com uma pesquisa do Ibope encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), o número de vegetarianos no Brasil saltou de 15,2 milhões de pessoas (8% da população) em 2012 para 29,2 milhões em 2018 (14%).  E para mostrar que o avanço vai além, o The Good Food Institute (GFI) mostra que o público flexitariano – isto é, pessoas que optam por reduzir o consumo de carnes e outros produtos de origem animal sem necessariamente interrompê-lo – saltou de 29% no mesmo ano para 49% em 2020 no país.

É perceptível que as vantagens são inúmeras, tanto para o consumidor quanto para as empresas. Enquanto as marcas passam a ter aumento de volume, possibilitando a redução de custo, investimento na cadeia de produção e tecnologia, bem como espaço no varejo, a população passa a ter uma vida mais saudável, evitando intolerâncias e alergias e prevenindo doenças, como as cardiovasculares, diabetes e até alguns tipos de cânceres.

Este resultado representa muito mais que ganhos financeiros ou disposição no dia-a-dia,  melhorando a produtividade, humor, sono e bem-estar. Garantir uma nutrição mais consciente contribui para um mundo melhor e mais sustentável, já que a alimentação vegetal usa menos recursos naturais (terra, água, emissão de gases etc.) e ajuda na libertação e bem-estar dos animais.

*Anderson Rodrigues é sócio-fundador da Vida Veg

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