As incertezas nos investimentos em criptomoedas

As incertezas nos investimentos em criptomoedas

Carlos Magno*

22 de maio de 2019 | 15h47

Carlos Magno. Foto: Arquivo Pessoal

No dia 17 de maio o Bitcoin, mais famosa entre as criptomoedas, sofreu uma queda de U$1.500 em seu valor de mercado, sendo comercializado abaixo dos U$7.000. O Portal do Bitcoin, site especializado em informações sobre a moeda, noticiou uma queda de U$7.800 para U$6.178 na Bitsmap, empresa de câmbio de bitcoins. A queda representa uma variação de 20,79% em relação ao valor cotado no início do dia.

Muitos entusiastas do mercado financeiro classificam-nas como ‘o dinheiro do futuro’. Elas tornaram-se, nos últimos dois anos, uma das ações preferidas para investimento. Seja conhecedor do mercado financeiro ou leigo no assunto, o perfil dos “investidores” dessas moedas é aleatório – como sua variação no mercado.

O Bitcoin, a mais famosa entre elas, data de 2009. Um chinês, ou um grupo – como também se especula, identificado pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto teria criado a ‘primeira moeda digital descentralizada’, ou seja, sem controle do Banco Central e dos órgãos reguladores da economia.

Nos últimos dois anos registrou aumentos consideráveis e criou uma legião de fãs, admiradores e críticos. A cotação do sábado, dia 18, também de acordo com o Portal do Bitcoin, registrou a moeda valendo U$7.395,66 (6,08% abaixo do registrado na manhã de sexta-feira), equivalente a R$ 30.851,79.
Costumo compartilhar em minhas redes sociais, @direitocomcarlos, o meu dia a dia com os investimentos.

Desenvolvi conhecimento suficiente para alertar meus seguidores sobre ativos perenes e rentáveis para aplicação de recursos, técnicas para avaliar e gerenciar os riscos e rendimentos, além de responder dúvidas dos internautas.

Parte desse conhecimento me mostrou que as Criptomoedas é um dos tipos de investimentos que não trazem segurança para aplicação de montantes. Abaixo explico os motivos.

A primeira brecha em manter altos investimentos nesse modelo de moedas se deve pela sua existência apenas em meios virtuais e a não aplicação prática da moeda.

Todas as moedas possuem uma parcela de valor intrínseca e extrínseca. A parcela intrínseca é algo palpável, tangível, com um valor físico. Já a extrínseca é algo especulativo e subjetivo, dependente de questões políticas, qualidades e vantagens que a moeda agrega.

Podemos usar, como exemplo da parte extrínseca, o Dólar. Quando ele deprecia ou valoriza, o que mudou não foi a parte intrínseca e sim a parte extrínseca – o valor subjetivo.

A maior parte das Criptomoedas, como o Bitcoin, não tem valor intrínseco (lastro ou produtos que garantem um dinheiro real).

O fato de não existir a manutenção de órgãos governamentais em relação aos criptoativos é mais um fator de risco para não aplicar grandes quantias nesse tipo de investimento, pois não assegura o cidadão em nenhuma transação envolvendo essas moedas.

É literalmente trocar dinheiro real, tangível e regulamentado por algo especulativo e sem garantias.
Recentemente o senador Flávio Arns (Rede-PR) enviou um requerimento ao Senado Federal para que a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática, CCT, realize uma audiência pública para a discussão da importância da regularização do mercado de criptomoedas no Brasil.

O senador justifica o pedido alegando que a “falta de regulamentação e fiscalização desse setor representa sérios riscos aos consumidores e à higidez da ordem econômico-financeira, diante da possibilidade de uso de tais ativos virtuais para o financiamento de atividades ilegais diversas, tais como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e tráfico de entorpecentes, ou mesmo para a obtenção de ganhos ilícitos em detrimento da coletividade, como a criação de pirâmides financeiras e outros mecanismos fraudulentos”.

Quanto a variedade de moedas existentes futuro (cogita-se a existência de mais de 5 mil criptomoedas) e a falta de previsibilidade de qual moeda será usada no futuro, temos um cenário em que as com menor uso podem chegar ao valor zero.

Nessa situação, você pode perder uma quantidade significativa de dinheiro caso não faça um gerenciamento de risco.

Como recomendação indico aos principiantes, entusiastas ou os que desejam informações sólidas e seguras sobre investimentos, que busquem por um Assessor de Investimentos para avaliações, sugestões de investimentos e outras dicas sobre o assunto.

É difícil acompanhar o mercado e tomar decisões 100% sozinho. Além dos conhecimentos que obtive, ao longo do tempo, conto com uma segunda visão sobre o tema.

Em resumo, as criptomoedas não são garantidas por nenhum banco ou instituição monetária e, no Brasil, todas as empresas que fazem essas intermediações atuam de forma livre no mercado sem qualquer fiscalização ou supervisão de órgãos governamentais. No campo econômico isso já é perigoso. No jurídico a situação é ainda mais alarmante.

A falta de regulamentação desse setor pode significar grandes riscos ao consumidor e a robustez da ordem econômica.

Existe a possibilidade de uso dessas moedas virtuais para o financiamento de atividades ilegais. Como fazer um nexo causal em, por exemplo, uma lavagem de dinheiro com uma criptomoeda?

Ganhos ilícitos em detrimento da coletividade, como são as famosas pirâmides financeira? Uma regulamentação se faz necessária para evitar não só uma instabilidade econômica, mas também uma insegurança jurídica

*Carlos Magno é advogado e empreendedor. Na internet, mantém mais de 290 mil seguidores nas Redes Sociais (Facebook, Instagram e YouTube) @direitocomcarlos onde dá dicas para os colegas de profissão sobre Conhecimento Jurídico, Desenvolvimento Pessoal, Marketing Digital e Investimentos.

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