As fotos de Richa e seu amigo delator

As fotos de Richa e seu amigo delator

Ex-diretor da Secretaria Estadual de Educação do Paraná Maurício Jandoi Fanini Antonio, que confessou arrecadação de propinas entre 2002 e 2015 para o ex-governador, entregou imagens que demonstram sua amizade com o tucano

Ricardo Brandt

06 Junho 2018 | 05h24

O ex-diretor da Secretaria Estadual de Educação do Paraná Maurício Jandoi Fanini Antonio, que confessou arrecadação de propinas entre 2002 e 2015 para o ex-governador Beto Richa (PSDB), apresentou ao Ministério Público Federal, fotos em momentos de lazer que demonstram a íntima amizade com o tucano.

Richa deixou o cargo para disputar vaga no Senado. Ele é apontado como principal beneficiário da arrecadação de valores em um esquema criminoso que envolve mesada de empresas com contratos com o governo, entrega de pacotes de dinheiro vivo em banheiros de órgãos públicos e estacionamentos de bancos, viagens ao exterior e custeio de imóveis da família.

Maurício Fanini foi preso em 2017 acusado de corrupção em contratos de construção e reforma de escolas da Secretaria de Educação, alvo da Operação Quadro Negro – que apontou desvio de pelo menos R$ 20 milhões no Estado. Desde maio, foi transferido para Brasília, após iniciar negociação de sua delação premiada. Ele é réu em três ações penais. A delação do ex-aliado foi revelada nesta terça-feira, 5, pela equipe da RPC (afiliada da TV Globo) no Paraná.

Em parte dos dez anexos do acordo, ele também encaminhou às autoridades fotos que apontam para sua amizade com o ex-governador.

COM A PALAVRA, RICHA

Nota de esclarecimento

“A proposta de acordo de colaboração premiada de Maurício Fanini ainda se encontra sob sigilo e mais uma vez foi vazada criminosamente.

Esta forma ilícita de agir parece ser uma manobra arquitetada às vésperas do período eleitoral, na tentativa de nivelar todos os políticos por baixo.

Não faço parte desta cena deplorável, onde criminosos confessos buscam envolver pessoas inocentes em crimes que somente eles praticaram.

O que esses criminosos pretendem? Ora, a resposta é muito simples! Pretendem conseguir a redução das penas a que certamente serão condenados pelos crimes cometidos e já confessados à Justiça, mesmo que para isso tenham que envolver pessoas honestas.

No caso de Maurício Fanini, a condenação pelos crimes praticados e por ele próprio confessados chegará a 50 (CINQUENTA) anos de prisão !

Portanto, está mais do que explicado porque Fanini tenta delatar tudo e todos, sem, no entanto, apresentar quaisquer indícios de provas.

Qual a razão de dar credibilidade a um criminoso que realizou 870 depósitos em dinheiro vivo, em sua própria conta corrente, pagou cartões de crédito em dinheiro vivo e formou um patrimônio incompatível com sua renda?

É uma tentativa desesperada de delação, que pela ausência de provas, não será aceita pela Justiça. São acusações criminosas, com o objetivo de envolver pessoas inocentes, retirando o foco das fraudes por ele cometidas.

E para isso, mente descaradamente. Nem eu, nem qualquer membro da minha família, recebeu dinheiro desviado dos cofres públicos.

A compra do apartamento do meu filho Marcello foi realizada de forma regular, com recursos próprios e transferência bancária, sem a utilização de dinheiro vivo, o que foi esclarecido também pelo vendedor do apartamento, que foi ouvido duas vezes pelo Ministério Público Estadual.

Igualmente é criminosa a afirmação de que minha mulher teria solicitado 1.000 dólares para uma viagem de meu filho André ao Peru. Quem nos conhece sabe que não precisamos disso e a afirmação beira o absurdo.

Repito: é uma delação criminosa, sem provas, que busca apenas confundir as pessoas. Espero que a Justiça apure e esclareça rapidamente essa questão, para que os culpados sejam punidos de forma exemplar.

Curitiba, 5 de junho de 2018.
Beto Richa
Presidente do PSDB-PR”