As cadeiras do seu negócio estão definidas de forma eficaz?

As cadeiras do seu negócio estão definidas de forma eficaz?

Rogério Vargas*

11 de dezembro de 2020 | 03h00

Rogério Vargas. FOTO: DIVULGAÇÃO

Conceitualmente, qualquer tipo de organização coletiva constituída com um ou mais objetivos, é, na verdade um grupo de pessoas que trabalham juntas, compartilhando os mesmos objetivos, desafios e conquistas. Independente da finalidade do grupo, seja ela financeira, social ou altruísta, o progresso das atividades conjuntas somente será possível se as pessoas trabalharem organizadas, executando estratégias planejadas e alinhadas com os mesmos objetivos.

Nos negócios acontece a mesma coisa, o crescimento/ desenvolvimento da empresa somente será possível se as pessoas que ali trabalham exercerem as suas atividades de forma coordenada e planejada. Assim, ao estruturar qualquer empresa, lidamos com a gestão do negócio através da gestão de pessoas, e o desenvolvimento das pessoas gera a evolução do negócio. Por isso, focar nesta dinâmica se torna essencial, considerando o papel da gestão no negócio e as suas possibilidades de melhorias na empresa.

Vamos considerar os termos “pessoas” e “cadeiras”, ou seja, deve haver um “papel” para cada pessoa na empresa. Quando me refiro a cadeira, quero dizer o cargo, a posição que a pessoa ocupa ou vai ocupar naquela estrutura hierárquica e suas respectivas atividades. Na situação do sócio e o do gestor do negócio, por exemplo, há de se definir muito bem os papéis (cadeiras) a serem desempenhados por cada um. Um erro muito comum nas empresas é justamente a falta de clareza nesta definição: o sócio deve atuar no nível estratégico, identificando oportunidades para desenvolver as propostas de valor do seu negócio através dos produtos/ serviços que oferece no mercado alvo. Ainda, estabelecer o rumo da companhia, de acordo com o modelo do negócio, que entrega a estratégia de valor. O gestor deve assegurar que a estratégia definida se torne realidade, aconteça, ou seja, implementar / aprimorar o modelo que entrega a estratégia de valor.

Assim, o trabalho de estruturação da empresa deve ser composto, basicamente, por três dinâmicas de atuação, interdependentes e alinhadas com o planejamento estratégico do negócio: 1. A estratégia que vislumbra uma oportunidade no mercado, 2. O modelo do negócio que “entrega este valor” e 3. A estrutura de gestão (gestores + equipes) que executam desenvolvem o modelo do negócio. A gestão está estruturada no tripé: definição da dinâmica de trabalho – processos, ações e rotinas daquele negócio; descrição das funções e responsabilidades do ocupante de cada cadeira, ou seja, quem faz o que em cada ações / rotinas e os controles / métricas sobre as atividades definidas para checar o quanto e como elas estão acontecendo, ou seja, a base dos resultados do negócio. A dinâmica da gestão do negócio está em cada gestor realizar o desenvolvimento de cada pessoa, segundo a “cadeira” que está ocupando, ou seja, a “cadeira” viabiliza o plano de desenvolvimento individual (a antiga “carreira”), ou seja, conforme a pessoa desenvolver-se em uma cadeira, poderão ocorrer oportunidades / novos ciclos de desenvolvimento para a pessoa e, consequentemente, o desenvolvimento da empresa, uma vez que somam-se todas as pessoas e cadeiras nesta dinâmica da empresa. Quando abordamos o este desenvolvimento das pessoas & cadeiras, existem três aspectos já bastante conhecidos que são: o conhecimento (teoria), a habilidade (prática) e a atitude (vontade), metodologia consolidada e amplamente conhecida como “CHA”. A identificação, motivação e promoção pelo gestor, das forças a serem maximizadas e dos desafios a serem trabalhados nas características técnicas e comportamentais do colaborador, possibilita que o colaborador busque a evolução de seu desenvolvimento. A terceira dinâmica é justamente o momento para mesclar as necessidades do negócio com as características das pessoas. Atuar neste mix representa o papel do gestor eficaz e deve ser desenvolvido diariamente pelo mesmo, com o acompanhamento direto popularmente conhecido como “ombro a ombro”, atuando no desenvolvimento em “Y” com a respectiva Motiva+ação da pessoa.

A dinâmica das pessoas, estudada acima, propõe uma receita perfeitamente aplicável, testada em qualquer tipo de negócio, com variáveis conhecidas que, seguidas passo a passo, podem levar o seu negócio a obter excelentes resultados e um crescimento orgânico exponencial. Ao desenvolver seus negócios, empresários, empreendedores e gestores de qualquer área devem entender a importância e garantir que pessoas mais adequadas ocupem as cadeiras de suas organizações.

*Rogério Vargas é sócio da Auddas

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