As 10 evidências de que Eduardo Cunha é um risco às investigações da Lava Jato

Procuradoria listou atuação de ex-presidente da Câmara para pressionar empreiteiras do cartel que atuava na Petrobrás, para intimidar delatores e advogada, para evitar cassação e interferir em apuração penal

Julia Affonso, Fausto Macedo, Fábio Serapião e Ricardo Brandt

19 de outubro de 2016 | 15h39

Eduardo Cunha, preso pela Lava Jato, embarca para Curitiba. Foto: André Dusek/Estadão

Eduardo Cunha, preso pela Lava Jato, embarca para Curitiba. Foto: André Dusek/Estadão

O Ministério Público Federal elencou 10 evidências de que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) representa um risco às investigações, ao pedir a prisão preventiva do presidente cassado da Câmara dos Deputados. Ele foi preso na tarde desta quarta-feira, 19, em Brasília. São tentativas de intimidar terceiros fazendo uso do mandato parlamentar, afronta às apurações no Congresso e na Justiça Criminal, que abrangem o período dos crimes praticados na Petrobrás, durante as apurações da Lava Jato e no processo de cassação.

“Diversos fatos evidenciaram a disposição de Eduardo Cunha de atrapalhar as investigações, utilizando-se inclusive de terceiras pessoas”, informou a força-tarefa do Ministério Público Federal, no pedido feito ao juiz Sérgio Moro, dos processos em primeiro grau da Lava Jato.

Como exemplo, os procuradores listaram 10 evidências:

1) requerimentos no Tribunal de Contas da União (TCU) e Câmara dos Deputados sobre a empresa Mitsui para forçar o lobista Julio Camargo a pagar propina a Eduardo Cunha;

2) requerimentos contra o grupo Schahin, cujos acionistas eram inimigos pessoais do ex-deputado e do seu operador, Lucio Bolonha Funaro;

3) convocação pela CPI da Petrobras da advogada Beatriz Catta Preta, que atuou como defensora do lobista Julio Camargo, responsável pelo depoimento que acusou Cunha de ter recebido propina da Petrobras;

4) contratação da Kroll pela CPI da Petrobras para tentar tirar a credibilidade de colaboradores da Operação Lava Jato;

5) pedido de quebra de sigilo de parentes de Alberto Youssef, o primeiro colaborador a delatar Eduardo Cunha;

6) apresentação de projeto de lei que prevê que colaboradores não podem corrigir seus depoimentos;

7) demissão do servidor de informática da Câmara que forneceu provas evidenciando que os requerimentos para pressionar a empresa Mitsui foram elaborados por Cunha, e não pela então deputada “laranja” Solange Almeida;

8) manobras junto a aliados no Conselho de Ética para enterrar o processo que pedia a cassação do deputado;

9) ameaças relatadas pelo ex-relator do Conselho de Ética, Fausto Pinato (PP-SP);

relato de oferta de propina a Pinatto, ex-relator do processo de Cunha no Conselho de Ética.

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