‘Ary Fichinha’, operador de Sérgio Cabral, chama padre como testemunha de defesa

‘Ary Fichinha’, operador de Sérgio Cabral, chama padre como testemunha de defesa

Pároco Marcelino Modelski celebrou renovação de votos do casamento do ex-governador do Rio e Adriana Ancelmo em 2010

Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

04 de abril de 2017 | 05h00

 

esquema cabral

O ex-assessor especial do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e suposto operador do esquema de propinas atribuído ao peemedebista, Ary Costa Filho, o ‘Ary Fichinha’, convocou um padre como testemunha de defesa. ‘Ary Fichinha’ é réu por lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Marcelino Modelski foi pároco da Igreja de São Jorge, em Quintino, no Rio. Atualmente, ele prega na Paróquia São Benedito, em São Paulo.

Documento

Em 2010, o padre celebrou a renovação de votos do casamento de Sérgio Cabral e da advogada Adriana Ancelmo. A cerimônia no Palácio Laranjeiras, no Rio, foi organizada para ‘abençoar as alianças do casal’.

O rol de testemunhas de ‘Ary Fichinha’ consta da resposta de sua defesa à acusação do Ministério Público Federal. No documento, os advogados de Michel Asseff, Michel Asseff Filho, Júlio Cezar Borges Leitão e Marco Aurélio Asseff, que subscrevem a peça, pedem que a denúncia seja rejeitada pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, no Rio, ‘por absoluta ausência da descrição dos fatos praticados por Ary Filho’ e ‘por falta de justa’.

Apontado como “um dos operadores mais importantes” do grupo criminoso de Cabral investigado pela Procuradoria da República, Ary Filho é suspeito de ter atuado para lavar ao menos R$ 10 milhões em propinas por meio de concessionárias de carros e compras de imóveis no Estado do Rio. Deste valor, segundo os investigadores, R$ 8 milhões teriam sido destinados para Cabral.

A defesa solicita ainda uma ‘perícia nos aparelhos celulares e computadores apreendidos’ com Ary Fichinha e ‘nos imóveis em que foram cumpridos os mandados de busca e apreensão’.

Ary era servidor da Secretaria de Estado da Fazenda do Rio, cedido à Secretaria da Casa Civil e foi exonerado em 6 de dezembro de 2016. O operador do ex-governador foi preso em fevereiro na Operação Mascate, desdobramento da Calicute, que prendeu Sérgio Cabral.

O ex-governador está preso desde novembro no presídio de Bangu 8 por suspeita de recebimento de uma mesada de R$ 850 mil das empreiteiras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia. O ex-governador responde a seis ações penais na Lava Jato por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.

A reportagem procurou o padre Marcelino Modelski por meio da Arquidiocese de São Paulo. O espaço está aberto para manifestação.

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