Arranje uns roxos na canela

Arranje uns roxos na canela

Cassio Grinberg*

10 de novembro de 2020 | 09h15

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Já viram aquelas crianças (com meus filhos é assim), cheia de roxos na canela? Dos tombos que levam de bicicleta, andando de balanço, jogando bola?

Estamos acostumados a buscar uma trajetória sem solavancos. Fomos em algum momento ensinados que os tombos fazem mal, mas o que pode acontecer se desaprendermos nossa crença de que sucesso é uma linha reta?

Com meus filhos acontece assim: quando caem, esquecem rapidamente. Não que não sintam dor: uma criança continua sendo uma criança. Parece no entanto haver uma combinação de dois sentimentos maiores que a frustração da queda: a capacidade de esquecer, e a curiosidade em descobrir o que pode acontecer se eles simplesmente tentarem novamente.

Nassim Taleb, autor do livro “Antifrágil”, costuma dizer que a tentativa e erro é a verdadeira liberdade. O que nos faz refletir um pouco sobre os extremos de não errar nunca ou errar o tempo todo. Não procure o erro, ele vai te achar: embora cair seja importante, você não precisa almejar o tombo. Mas se ele não acontecer nunca, possivelmente é porque não colocamos de verdade a pele no jogo.

Cair e levantar é o que mais fizemos em 2020, quando de repente levamos um soco na boca do estômago e não pudemos nem reclamar da deslealdade da luta. Mas se a vida escolhe onde nos colocar, podemos escolher de que forma nos posicionar, e este ano também está nos ensinando a lidar com esses roxos na canela, em nossas casas e em nossas empresas.

O ano cansou você de verdade? Então acelere! A hora em que a gente está mais cansado é justamente a hora de acelerar, pois o sucesso está mais próximo, apenas não conseguimos ver — e a maioria das pessoas desiste quando está mais perto do que imagina.

Tem um Ikigai, um propósito, ou um sonho? Coloque a energia em persegui-lo mas não esqueça de comunicar o mundo da existência dele. Na vida é assim: faz melhor para a alma tentar. O sucesso no final das contas é proporcional à quantidade de roxos que arranjarmos na canela.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting e autor do livro Desaprenda – como se abrir para o novo pode nos levar mais longe

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