Arquivo X aponta três ‘vertentes’ de corrupção

Arquivo X aponta três ‘vertentes’ de corrupção

Procuradoria da República e Polícia Federal rastreiam pagamentos de R$ 13,4 milhões, além dos US$ 2,3 milhões que empresário Eike Batista afirma ter repassado a pedido de Mantega

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Mateus Coutinho

22 de setembro de 2016 | 11h47

RJ 22/09/2016 POLÍTICA / NACIONAL / 34ª OPERAÇÃO LAVA JATO / ARQUIVO X - 34ª fase da Operação Lava Jato, intitulada Operação Arquivo X. Na foto, o ex-presidente da OSX, Luiz Eduardo Carneiro, é conduzido por policiais federais à sede da Polícia Federal, no Rio de Janeiro. FOTO: FABIO MOTTA/ESTADÃO

34ª fase da Operação Lava Jato, intitulada Operação Arquivo X. Na foto, o ex-presidente da OSX, Luiz Eduardo Carneiro, é conduzido por policiais federais à sede da Polícia Federal, no Rio de Janeiro. FOTO: FABIO MOTTA/ESTADÃO

 

A Operação Arquivo X identificou três fontes de corrupção que movimentaram pelo menos R$ 13,4 milhões e mais US$ 2,35 milhões.

Segundo o procurador regional da República Carlos Lima, da força-tarefa da Lava Jato, a primeira vertente envolve o operador de propinas do PMDB João Augusto Rezende Henriques, já condenado pelo juiz federal Sérgio Moro. Ele teria recebido R$ 7,4 milhões e supostamente repassados ao partido.

A segunda vertente aponta para o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) e o ex-deputado André Vargas (ex-PT), que teriam sido beneficiários de R$ 6 milhões.

A terceira frente se refere ao pedido de R$ 5 milhões que o ex-ministro Guido Mantega teria feito a Eike Batista – o empresário afirma ter repassado um total de US$ 2,35 milhões para uma conta do publicitário João Santana e sua mulher Mônica Moura, marqueteiros das campanhas presidenciais de Lula e Dilma Rousseff.

O procurador disse que o motivo do pedido de prisão de Mantega foi ‘o risco à ordem pública’ – mesmo fundamento adotado em todas as outras fases anteriores da Lava Jato.

“A garantia da ordem pública tem sido uma das principais motivações (dos decretos de prisão). Há risco de destruição de provas nesses casos. Além disso, estamos falando da continuação de um esquema reiterado de corrupção bilionária na Petrobrás, estamos falando de valores bilionários desviados dos cofres públicos”, disse o procurador.

Carlos Lima destacou que Eike Batista ‘procurou espontaneamente’ a força-tarefa para depor e revelar o suposto pedido de Mantega.

Segundo a investigação, no dia 1.º de novembro de 2012, o então ministro da Fazenda que, na ocasião, acumulava a presidência do Conselho de Administração da Petrobrás, reuniu-se com Eike e pediu ao empresário repasse de R$ 5 milhões para saldar dívidas de campanha do PT.

Os investigadores suspeitam que as dívidas eram relativas à campanha que elegeu Dilma pela primeira vez, em 2010. O que leva os investigadores a acreditarem nessa hipótese é que Eike teria atendido o pedido de Mantega e depositou US$ 2,3 milhões em contas do casal João Santana e Mônica Moura, marqueteiros de Lula e Dilma.

“Esta é a terceira vertente da corrupção, que envolve Guido Mantega. Se refere a um pedido feito por ele para o empresário Eike Batista de pagamento de cinco milhões de reais para quitação de dívidas de campanha”, afirma o procurador.

O encontro, segundo a investigação, ocorreu pouco antes da liberação do primeiro pagamento das obras em plataformas da Petrobrás para o Consórcio Integra Offshore, do qual a OSX, de Eike, fazia parte.

A liberação ocorreu no dia 29 de novembro de 2012. A ‘doação’ de Eike, em abril de 2013.

“A combinação passou pela operacionalização desses valores no exterior, mediante contrato por objeto falso entre empresa de Eike e empresa do casal Santana. A operação foi especialmente montada por Mõnica Moura para receber US$ 2,35 milhões pela conta da Shelbill (na Suíça)”, afirma o procurador.

COM A PALAVRA, A CHEMTECH:

“A Chemtech está cooperando com as autoridades, dando suporte às investigações em andamento. Devido ao sigilo dos procedimentos investigativos, estamos impossibilitados de fazer quaisquer outros comentários”

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DO PT:

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou nesta quinta-feira de manhã que a prisão do ex-ministro Guido Mantega é “arbitrária, desumana e desnecessária”. De acordo com ele, a 34ª fase da Operação Lava Jato, denominada Arquivo X, deveria se chamar “Operação Boca de Urna”, uma vez que acontece às vésperas das eleições municipais. Falcão lembrou que Mantega é ex-ministro, tem endereço fixo e nunca se negou a dar esclarecimentos, sendo assim midiática a prisão em um hospital.

Na opinião do presidente do PT há também um “excesso de coincidências” nas ações da Lava Jato. Além da proximidade das eleições para a deflagração da nova fase, ele citou o fato de o juiz Sérgio Moro ter recebido a denúncia contra o ex-presidente Lula anteontem (20/9), no mesmo dia em que Lula realizava uma teleconferência no lançamento da campanha “Stand With Lula” (Eu defendo Lula) organizada pela Confederação Sindical Internacional (UTC/CSI) em Nova York.

Sobre as suposições apresentadas hoje, de que haveriam repasses de verbas para o PT, a resposta do Partido dos Trabalhadores é a seguinte:

“O PT refuta as ilações apresentadas. Todas as operações financeiras do partido foram realizadas estritamente dentro dos parâmetros legais e posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral.”

COM A PALAVRA, A ISOLUX:

“Isolux Corsán está colaborando abertamente com as autoridades brasileiras nas investigações”.

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