Arquivar processo contra Aécio é ‘descompasso’ entre políticos e sociedade, diz Lamachia

Arquivar processo contra Aécio é ‘descompasso’ entre políticos e sociedade, diz Lamachia

Presidente da OAB lamentou decisão do Conselho de Ética do Senado que livrou tucano de representação por quebra de decoro parlamentar após conversa entre o parlamentar e o empresário Joesley Batista, da JBS

Julia Affonso

06 Julho 2017 | 19h29

Aécio Neves. REUTERS/Ueslei Marcelino

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Claudio Lamachia, lamentou nesta quinta-feira, 6, a decisão do Conselho de Ética do Senado de arquivar o pedido de cassação de Aécio Neves (PSDB-MG). Por 11 votos a quatro, o tucano se livrou da representação por quebra de decoro parlamentar.

Com esta decisão, Aécio não será sequer investigado na Casa pelas gravações entre ele e o dono da JBS, Josley Batista. O pedido de cassação havia sido feito pela Rede e pelo PSOL contra Aécio, em junho.

O presidente do Conselho, João Alberto Souza (PMDB-MA), na ocasião, decidiu monocraticamente arquivar a representação, que considerou “improcedente”. Randolfe, apoiado por cinco senadores que integram o Conselho, entrou com um recurso para que o plenário reavaliasse a questão. Nesta quinta-feira, entretanto, apenas quatro parlamentares votaram pela admissibilidade da denúncia.

Para Lamachia, a decisão ‘é só mais um episódio que demonstra o descompasso entre a classe política e os anseios da sociedade’.

“O presidente do Conselho de Ética, senador João Alberto, já havia arquivado sumariamente o caso. Agora, o colegiado ratifica a decisão, reforçando as dúvidas e as especulações sobre eventuais acordos que possam estar sendo feitos nas sombras”, afirmou.

“A sociedade exige o esclarecimento dos fatos e o Senado está abrindo mão de dar sua contribuição para que, inclusive, o senador possa exercer seu direito de defesa. Lamento a decisão do Conselho de Ética do Senado, que retira da sociedade e do próprio senador as possibilidades de esclarecer os fatos para opinião pública.”