Arquidiocese de Curitiba lança documento contra cassação de vereador petista investigado por invasão de igreja

Arquidiocese de Curitiba lança documento contra cassação de vereador petista investigado por invasão de igreja

Mitra sugere à Câmara da capital paranaense que 'evite motivações politizadas' contra Renato Freitas que, no dia 5 de fevereiro, ocupou a Igreja do Rosário dos Pretos de São Benedito durante ato de protesto pelo assassinato do congolês Moïse Kabagambe

Jayanne Rodrigues

29 de março de 2022 | 17h21

No dia 17 de março, o parlamentar apresentou uma defesa prévia em relação ao caso no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Curitiba. Foto: Divulgação/ CMC

Em oposição ao processo de cassação do vereador da Câmara Municipal de Curitiba Renato Freitas (PT), a Arquidiocese da capital paranaense redigiu um documento em que contestou a quebra de decoro parlamentar. Na manifestação, a instituição afirmou que o vereador só entrou na Igreja do Rosário dos Pretos de São Benedito, centro da cidade, após o término da missa. Renato é acusado de invadir o templo religioso no dia 5 de fevereiro, durante as manifestações que pediam justiça pela morte do congolês Moïse Kabagambe

No registro, a Mitra defendeu que: “a movimentação contra o racismo é legítima, fundamenta-se no Evangelho e sempre encontrará o respaldo da Igreja”. Ainda no documento, o bispado argumentou que o protesto do vereador é por uma causa “nobre e merece respeito”. Porém, na sequência, a instituição reforçou que apesar da importância do assunto, a situação apresentou “certos excessos, como o desrespeito a lugar sagrado”. Veja o documento:

Documento

Por fim, é sugerido que a casa legislativa municipal aplique uma “medida disciplinadora proporcional ao incidente”. Após o ocorrido em fevereiro, foi instaurado um procedimento ético-disciplinar para apurar a conduta do vereador. No dia 17 de março, o parlamentar negou ter invadido a Igreja do Rosário durante depoimento protocolado no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba. 

No total, foram protocoladas cinco representações contra Renato. Perturbação da prática de culto religioso e a realização de ato político dentro do templo religioso estão entre as acusações. A defesa do vereador pediu arquivamento do processo.

O parlamentar se envolveu em outra polêmica neste mês. Durante uma reunião remota da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal, ele surgiu com um secador nas mãos arrumando os cabelos. No encontro, estava sendo discutido o projeto de lei do vereador Eder Borges (PSD), que propõe o ‘desincentivo’ à linguagem neutra ou não binária. 

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