Armazenamento seguro em nuvem e LGPD aceleram a transformação digital nas empresas

Armazenamento seguro em nuvem e LGPD aceleram a transformação digital nas empresas

Orlando Souza*

27 de julho de 2021 | 04h45

Orlando Souza. FOTO: DIVULGAÇÃO

Impulsionadas pelo crescimento do home office e pela urgência de transformação digital, as empresas têm concentrado as atenções no armazenamento seguro de dados, para ter eficiência, confiança e agilidade em suas operações. Há uma tendência no mercado de terceirização do armazenamento e contratação de serviço especializado, para que as organizações possam focar em novos projetos e otimizar o tempo dos colaboradores, sem o risco de perder informações primordiais sobre o trabalho que desenvolvem.

Uma das soluções mais eficientes nesse sentido, que se tornou estratégica para as empresas gerenciarem informações de forma coordenada, é o armazenamento em nuvem com a utilização de uma única plataforma de conteúdo inteligente para guardar, classificar e estruturar dados. Essa alternativa vai além da digitalização de ativos, pois possibilita a classificação de grandes volumes de mídias físicas e digitais, sejam elas áudios, vídeos, imagens, documentos, gráficos, tabelas, prontuários médicos ou plantas arquitetônicas, com busca segura, veloz e centralizada.

Ao proporcionar benefícios que trazem mais assertividade, produtividade e lucratividade para os negócios, o armazenamento seguro na nuvem surge como uma excelente estratégia para empresas de todos os segmentos possam expandir seu potencial, alcançar resultados e se destacar diante da concorrência, tendo acesso imediato a informações, registros e documentos físicos ou digitais, com segurança, sem extravio de dados e em conformidade com as leis de privacidade.

O armazenamento de dados em nuvem permite às empresas dispor de subsídios para a tomada de decisões embasadas e precisas, com visão mais ampla, a partir do acesso instantâneo a todos os dados disponíveis. Com a tecnologia, é possível administrar melhor os riscos, com ganho de eficiência e redução de custos significativos de mão de obra interna e infraestrutura, mantendo documentações e registros 100% em compliance. Os “motores” de inteligência artificial (AI) e machine learning (ML) trazem dinâmica às relações corporativas e abreviam etapas.

Os desafios derivados do surgimento da Covid-19, com isolamento social e home office, apressaram as transformações digitais em curso. De acordo com uma pesquisa global da consultoria McKinsey, publicada em outubro de 2020, as empresas aceleraram a digitalização de suas interações com clientes e fornecedores em três anos. Assim como a participação de produtos digitais em seus portfólios foi antecipada em sete anos.

O estudo global TMT Predictions 2021, desenvolvido anualmente pela Deloitte, também atesta que o crescimento dos investimentos em nuvem no Brasil ganhou força em consequência da pandemia, com aumento da demanda provocado pelo contingente de pessoas em trabalho remoto. Os serviços nessa área se mostraram capazes de oferecer uma saída eficaz diante da nova realidade, unindo custo baixo à excelente velocidade de implementação, com facilidade de uso. A Deloitte prevê que a receita continuará crescendo em 2021 e será superior a 30% até 2025.

Segundo pesquisa da consultoria norte-americana Gartner, uma das principais no segmento de tecnologia, estima-se que cerca de 85% de todas as empresas do mundo operem dentro da nuvem até 2025.

Com o armazenamento em nuvem, as organizações também ficam em sintonia com a nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entrou em vigor em 2020, com base na GDPR (General Practice Research Database) da União Europeia. A legislação brasileira prevê que todas as empresas, independentemente de serem pequenas, médias ou de grande porte, invistam em segurança de dados. O mesmo deve ser feito pelos órgãos governamentais. Caso ocorra vazamento de informações das companhias, a multa prevista pode chegar a R$ 50 milhões. O objetivo das novas regras é fazer com que os setores, privado e público, sejam mais rigorosos no que tange à forma como tratam a privacidade e proteção de dados dos brasileiros.

Para se ajustarem à LGPD, é aconselhável que as empresas identifiquem os dados dos clientes usados atualmente, o motivo para o qual estão sendo utilizados, quem os gerencia e onde estão armazenados. Também devem promover o engajamento de todos os funcionários e setores, preparando-os para as novas práticas a serem adotadas. Recomenda-se, ainda, que revisem contratos com terceiros e suas políticas de segurança e privacidade, de modo a garantir que os parceiros que processam dados sob sua responsabilidade sigam as mesmas diretrizes.

Em decorrência dessa transformação digital, que impõe uma transformação cultural também, são inadiáveis na atualidade os investimentos das empresas em automação de processos, inteligência artificial e gerenciamento de dados. São a única maneira de manter a competitividade e assegurar as boas práticas exigidas por lei.

*Orlando Souza é presidente da Iron Mountain Brasil

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