Armarinhos Fernando diz à Polícia que chinês preso pagou R$ 1,2 mi em dinheiro vivo por máscaras

Armarinhos Fernando diz à Polícia que chinês preso pagou R$ 1,2 mi em dinheiro vivo por máscaras

Tradicional varejo da 25 de Março, maior centro comercial de São Paulo, diz que máscaras tinham sido recusadas pela China; Fu Zihong, o comprador, é amigo de longa data do empresário Marcos Zheng; ambos foram presos com 15 mil testes de coronavírus e 2 milhões de EPIs

Luiz Vassallo

16 de abril de 2020 | 10h00

Foto: Google Street View

O gerente da loja Armarinhos Fernando, tradicional varejo da Rua 25 de Março, maior centro comercial de São Paulo, afirmou à Polícia Civil que Fu Zihong, preso neste sábado, 11, em uma operação da Polícia Civil, comprou cinco milhões de máscaras de proteção, e, além de transferências bancárias, pagou R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo por elas. Com a hipótese de comprovação de origem das máscaras, que teriam sido recusadas pela China, agora os investigadores suspeitam de lavagem de dinheiro.

Fu é amigo de longa data de Marcos Zheng, presidente da Associação Shangai no Brasil e vice da Associação Chinesa do Brasil, também preso neste sábado. A Polícia apreendeu 2 milhões de máscaras e mais 15 mil testes de coronavírus – sobre os exames, há suspeita de que tenha sido roubados de um terminal de carga do Aeroporto de Guarulhos. (Leia tudo a respeito, em reportagem especial)

Os itens foram apreendidos no imóvel onde funciona a Associação presidida por Zheng. Ele alega ter locado parte do local a Fu, que confirma a história. Ambos receberam voz de prisão após um delegado se passar por empresário e ir até o local com a promessa de R$ 3 milhões pelos testes de coronavírus.

Em depoimento após a prisão, assim como Zheng, Fu disse desconhecer que havia testes de coronavírus no local. Nenhum dos presos assumiu ser dono dos itens. No entanto, Fu disse ser responsável pelas máscaras. Conta ter comprado no Armarinhos Fernando. A loja foi, então, notificada a prestar esclarecimentos.

O gerente Ondomar Antonio Ferreira, apresentou as três notas fiscais de venda do material para a empresa de Fu, a RGA Importadora. Ele alega ter sido apresentado a Fu por intermédio de um antigo cliente, de nome Macedo.

Segundo ele, ‘após as tratativas, foi negociado com FU 5.000.000 de unidades de máscaras descartáveis da marca BOM PACK, conforme notas fiscais já mencionadas’ e que ‘referida mercadorias é de procedência nacional, a qual, sendo tomou conhecimento através do
representante Macedo, teria sido exportada para china, no mês de fevereiro do ano de 2020, contudo, as mesmas foram reprovadas pelo governo chinês e desta forma, voltaram para o Brasil e estavam sendo comercializada pela empresa RGA’.

Ele narra ter recebido transferências de R$ 398 mil, nas contas do Armarinhos Fernando, e que ‘todos os pagamentos em especie foram realizados pela pessoa de ‘FU”. De acordo com Ondomar, ‘foi um total de R$990.000,00 na primeira e R$ 250.000,00 na segunda’.

“Ressalta-se, ainda que grande parte deste material foi pago em dinheiro, em espécie, cujos indícios levam a crer, s.m.j., na prática de possível crime de lavagem de dinheiro, o qual será objeto de apuração em inquérito policial específico”, afirmou o delegado de Polícia Rodolfo Luiz Decarli à Justiça.

Fu e Zheng estão presos preventivamente, e pedem liberdade à Justiça.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.