Argôlo diz que ex-ministro deu Rolex para ex-diretor da Petrobrás

Argôlo diz que ex-ministro deu Rolex para ex-diretor da Petrobrás

Ex-deputado, preso na Lava Jato, disse que doleiro Alberto Youssef levou relógio para Mário Negromonte, ex-Cidades no governo Dilma, presentear Paulo Roberto Costa

Redação

19 de maio de 2015 | 18h09

Foto: Ed Ferreira/Estadão

Luiz Argôlo. Foto: Ed Ferreira/Estadão

Por Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

O ex-deputado Luiz Argôlo (afastado SD-BA), preso na Operação Lava Jato, afirmou em depoimento à Polícia Federal, no Paraná, em 16 de abril, que o conselheiro do Tribunal de Contas do Município, em Salvador, Mário Negromonte, ex-ministro de Cidades do governo Dilma, deu um relógio Rolex ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Segundo Argôlo, o presente foi entregue durante um jantar em 2010, em Brasília.

Argôlo é réu em uma das ações penais da Lava Jato. O juiz Sérgio Moro acolheu denúncia criminal da Procuradoria da República contra o ex-deputado. A investigação revela que Argôlo fez 93 viagens às custas de recursos da Câmara dos Deputados, 40 delas para visitar o doleiro Alberto Youssef, peça central da Lava Jato.

 

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À PF, o ex-deputado contou que conheceu Youssef na casa de Mário Negromonte. O doleiro teria sido o responsável por levar o Rolex para o ex-ministro, naquele jantar.

“[…] No final de 2010, ocasião em que foi convidado por Mário a participar de um jantar de despedida dos deputados que estavam em fim de mandato”, disse Argôlo à PF. “Enquanto estava no apartamento de Mário e de João recorda-se que entrou no recinto um indivíduo (Youssef) até então desconhecido do declarante (Argôlo) e foi conversar diretamente com Mário; que o indivíduo estava com uma sacola em mãos; que momentos depois, Mário chamou o declarante para ir até o local onde estava com o indivíduo, um tipo de escritório, mostrou um relógio, salvo engano um Rolex de fundo verde, e perguntou ao declarante se era autêntico, falando que o declarante “gostava de coisa boa”; que analisou o relógio pelo conhecimento que tem, lhe pareceu verdadeiro.”

Mário Negrmonte. Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara

Mário Negromonte. Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara

Segundo Argôlo, da casa de Negromonte, eles foram a um restaurante em Brasília, onde ocorreria um jantar de fim de mandato. O ex-deputado disse que aquela foi a vez em que conheceu Alberto Youssef.

“No restaurante, em determinado momento, chegou outro indivíduo, até então desconhecido do declarante; que Mário se levantou da mesa, juntamente com outros dois ou três deputados, deu boas vindas em voz alta ao “Doutor Paulo” e entregou justamente o relógio Rolex que o declarante examinara no apartamento para “Doutor Paulo”, como presente”, contou Argôlo.

Ele afirmou que soube em outro momento que “Doutor Paulo” era Paulo Roberto Costa, ‘já que não ficou no restaurante até o fim do jantar’, e que teve conhecimento que a pessoa que havia levado o Rolex para Negromonte era Alberto Youssef em março de 2011.

Paulo Roberto Costa, (à esquerda) e Alberto Youssef, delatores do esquema de propina investigado pela Lava Jato. Fotos: Dida Sampaio/Estadão e Vagner Rosario/Futura Press

Paulo Roberto Costa, (à esquerda) e Alberto Youssef, delatores do esquema de propina investigado pela Lava Jato. Fotos: Dida Sampaio/Estadão e Vagner Rosario/Futura Press

Mário Negromonte é apontado em delação premiada de Youssef como um dos líderes do PP que recebia repasses mensais entre R$ 250 mil e R$ 500 mil. O ex-ministro nega as acusações.

O PP, o PT e o PMDB são suspeitos de lotear diretorias da Petrobrás para arrecadar propina em grandes contratos, mediante fraudes em licitações e conluio de agentes públicos com empreiteiras organizadas em cartel. O esquema instalado na estatal foi desbaratado pela força-tarefa da Lava Jato.

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