Aras tem agido com ‘prudência e parcimônia’, diz Toffoli

Aras tem agido com ‘prudência e parcimônia’, diz Toffoli

Em videoconferência, presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça disse que o procurador-geral da tem exercido suas ‘funções com altivez, firmeza e liderança’ e atuado ‘do ponto de vista a não trazer problemas’

Redação

08 de junho de 2020 | 16h26

O procurador-geral da República, Augusto Aras, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, durante sessão plenária da Corte. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça Dias Toffoli afirmou na manhã desta segunda, 8, que o procurador-geral da República, Augusto Aras tem ‘agido com prudência e parcimônia’ atuando ‘do ponto de vista a não trazer problemas’. O ministro também afirmou que Aras tem exercido suas ‘funções com altivez, firmeza e liderança’, mas ‘sem fazer holofotes’.

“Fica aqui o meu testemunho da firmeza, da coragem de atuação e, mais do que nunca, de não cair na vaidade que outros no passado caíam, de achar que o holofote é a solução, quando não é. É o trabalho, é a dedicação, é o conteúdo, é a defesa da instituição e é o que vossa excelência, o PGR, vem fazendo”, declarou.

As afirmações foram feitas durante abertura III Fórum Nacional de Corregedores (Fonacor), evento da Corregedoria Nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça para discutir soluções e projetos para o enfrentamento dos desafios dos corregedores federais, eleitorais, trabalhistas, militares e estaduais diante da realidade do Judiciário.

Além de Tofolli e de Aras, participaram da abertura do evento os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM/AP).

Durante seu discurso, Toffoli ainda manifestou solidariedade ao PGR diante de críticas que chamou de ‘injustas’, sem se citar expressamente as mesmas. Recentemente, Aras divulgou duas notas públicas sobre seus posicionamentos, uma relativa às Forças Armadas e ao artigo 142 da Constituição, e outra sobre seus pareceres no âmbito do inquérito das fake news – que inclusive está pautado para análise do Plenário do Supremo Tribunal Federal nesta quarta, 10.

O chefe do Ministério Público Federal está prestes a decidir de denuncia ou não o presidente no âmbito do inquérito sobre suposta tentativa de interferência política na Polícia Federal, aberto após acusações feitas pelo ex-ministro Sérgio Moro ao anunciar sua demissão no fim de abril.

Nesta segunda, 8, o ministro Celso de Mello, relator da investigação, determinou a prorrogação das apurações por mais 30 dias, atendendo a pedido a pedido da delegada Christiane Correa Machado – chefe do Serviço de Inquéritos Especiais no STF e responsável pela condução do inquérito na PF – com ‘expressa concordância’ da Procuradoria-Geral da República.

Em meio a momento crítico do inquérito, o presidente Jair Bolsonaro fez diferentes gestos de aproximação com relação a Aras. Somente na última semana de abril, o presidente ‘se convidou’ para vistar o PGR, acenou que poderia indicar o atual chefe do Ministério Público Federal para uma vaga do Supremo Tribunal Federal e ainda condecorou Aras com Ordem de Mérito Naval.

Como mostrou o Estadão, desde que assumiu o comando do Ministério Público Federal (MPF) em setembro do ano passado, Aras vem tomando uma série de medidas que atendem aos interesses do presidente Jair Bolsonaro.

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