Aras nega ter comentado com ‘interlocutores’ suas impressões sobre vídeo de reunião ministerial que afirma nem ter visto

Aras nega ter comentado com ‘interlocutores’ suas impressões sobre vídeo de reunião ministerial que afirma nem ter visto

PGR afirma que não se manifestaria com 'interlocutores' sobre a reunião de Bolsonaro 'seja porque não assistiu à gravação, seja porque não esteve reunido com os procuradores da República que a assistiram'

Paulo Roberto Netto

12 de maio de 2020 | 22h07

O procurador-geral da República, Augusto Aras, emitiu nota na noite desta terça, 12, afirmando que ‘não assistiu à gravação’ da reunião ministerial do dia 22 de abril, exibida hoje para representantes da Procuradoria e advogados do ex-ministro Sérgio Moro e do presidente Jair Bolsonaro. Por isso, o PGR nega ter comentado suas impressões sobre o vídeo ‘com interlocutores’.

“Augusto Aras não comentou com interlocutores suas impressões sobre o teor do vídeo nem manifestou qualquer juízo a respeito, seja porque não assistiu à gravação, seja porque não esteve reunido com os procuradores da República que a assistiram, visto que os procuradores, logo após a exibição do material, participaram das oitivas de ministros de Estado”, afirmou Aras, em nota.

O PGR afirmou que somente formará ‘juízo acerca dos elementos’ constantes no inquérito ‘ao término das diligências’.

O procurador-geral da República, Augusto Aras. Foto: Dida Sampaio / Estadão

Nesta noite, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal e relator do inquérito, abriu prazo de 48 horas para Aras se manifestar sobre o levantamento do sigilo – total ou parcial – da gravação da reunião ministerial.

Fontes informaram ao Estadão que durante o encontro, Bolsonaro justificou a necessidade de trocar o superintendente da PF no Rio à defesa de seus próprios filhos, alegando que sua família estaria sendo ‘perseguida’. O vídeo foi dito como ‘devastador’ para a defesa do presidente.

Em outro momento, o presidente afirmou que não iria divulgar a ‘porcaria’ de um exame para o novo coronavírus sob o argumento de que isso poderia, eventualmente, levar até mesmo a um processo de impeachment.

Bolsonaro nega ter citado a palavra ‘Polícia Federal’ e ‘superintendência’ durante a reunião e garantiu que a palavra ‘investigação’ também não foi mencionada na reunião.

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