Aras acusa imprensa de disseminar fake news

Aras acusa imprensa de disseminar fake news

Procurador-Geral da República afirmou que notícias falsas são espalhadas por 'todos os segmentos da comunicação moderna' e não apenas blogs ou redes sociais

Rayssa Motta

10 de junho de 2020 | 21h11

O procurador-geral da República, Augusto Aras. Foto: Dida Sampaio / Estadão

Em manifestação oral durante o julgamento de ação que pede a suspensão do inquérito das fake news, iniciado nesta quarta-feira, 10, o procurador-geral da República, Augusto Aras, acusou a imprensa de disseminar noticias falsas. O PGR afirmou que as fake news são espalhadas por ‘todos os segmentos da comunicação moderna’ e não apenas blogs ou redes sociais.

Aras disse ainda que que as pessoas precisam ‘ter mais cuidado na leitura das notícias’ para não acreditar em mentiras.

“Sabemos que esse fenômeno maligno das fake news não se resume a blogueiros ou às redes sociais. Ele é estimulado por todos os segmentos da comunicação moderna, sem teias, sem aquele respeito que a minha geração aprendeu a ler o jornal, acreditando que aquilo era verdade”, disse.

Segundo ele, é preciso ter atenção às informações consumidas. “Temos que hoje ter mais cuidado na leitura das notícias para fazermos um filtro fino para encontrar um mínimo de plausibilidade em relação a esta campanha de fake news, que não guarda limites de nenhuma natureza. E o pior, que vai estimulando comoções sociais, que vai sustentando pensamentos extremistas, que vai levando a sociedade já desesperada, em meio a uma calamidade pública, a sentimentos de revolta, incitação, e submetida a reações muito delicadas para a nossa democracia”, complementou.

Para o presidente da Associação Nacional dos Jornalistas (ANJ), Marcelo Rech, o procurador-geral da República demonstrou ‘total desconhecimento’ sobre o jornalismo profissional. “Veículos de comunicação não vivem de erro – como o próprio Ministério Público, buscam o acerto e a precisão. E, quando erram, por dever ético corrigem o erro ou podem ser responsabilizados”, rebateu Rech. Ele destacou ainda que ‘veículos têm CNPJ e responsabilidade legal sobre o que divulgam – e não se escondem no anonimato ou atrás de robôs, como fazem os disseminadores profissionais de mentiras’.

Julgamento pela suspensão do inquérito das fake news. Aras aproveitou a manifestação para a negar que tenha tentado pôr fim às investigações. O chefe do Ministério Público Federal afirmou que considera o inquérito constitucional e pediu direito de se manifestar previamente sobre os atos e diligências determinados pelo STF no âmbito do processo.

O plenário do Supremo deve decidir em breve se mantém ou suspende as investigações. O julgamento, iniciado nesta quarta, será retomado em uma semana. Até o momento, apenas o relator da ação, ministro Edson Fachin, proferiu voto. Ele se posicionou pela continuidade do inquérito.

 

 

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