Após três horas de interrogatório, Lula volta para a cadeia da Lava Jato

Após três horas de interrogatório, Lula volta para a cadeia da Lava Jato

Ex-presidente foi ouvido na ação penal sobre o sítio de Atibaia, na qual é réu por supostamente ter recebido propina de R$ 1,02 milhão do pecuarista José Carlos Bumlai e das empreiteiras Odebrecht e OAS que bancaram reformas e melhorias na propriedade rural

Ricardo Brandt e Julia Affonso

14 Novembro 2018 | 18h21

Lula em São Bernardo do Campo, em 7 de abril de 2018, dia de sua prisão. FOTO: ANDRÉ PENNER/AP

O ex-presidente Lula foi interrogado pela juíza Gabriela Hardt, sucessora de Sérgio Moro nos processos da Operação Lava Jato, por cerca de 3 horas nesta quarta-feira, 14. O depoimento do petista na ação do sítio de Atibaia começou às 15 hs – antes, a magistrada interrogou o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula.

Após o depoimento, na Justiça Federal de Curitiba, Lula voltou para a carceragem da Polícia Federal, escoltado por um forte aparato de agentes armados.

O ex-presidente ocupa uma sala especial na sede da PF de Curitiba desde a noite de 7 de abril, quando foi preso para cumprir pena de 12 anos e um mês de reclusão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá.

Esta é a terceira vez que Lula foi ouvido como réu da Lava Jato. A primeira foi em 10 maio de 2017, a segunda, em 13 de setembro, em ambas as audiências ele foi interrogado pelo juiz Sérgio Moro.

Nesta quarta, 14, ele foi interrogado por Gabriela Hardt, que assumiu as ações penais da Lava Jato. Moro deixou a operação e se desligou dos processos para assumir o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO CRISTIANO ZANIN MARTINS, DEFENSOR DE LULA

Depoimento de Lula mostra arbitrariedade da acusação

O ex-presidente Lula rebateu ponto a ponto as infundadas acusações do Ministério Público em seu depoimento, reforçando que durante o seu governo foram tomadas inúmeras providências voltadas ao combate à corrupção e ao controle da gestão pública e que nenhum ato de corrupção ocorrido na Petrobras foi detectado e levado ao seu conhecimento.

Embora o Ministério Público Federal tenha distribuído a ação penal à Lava Jato de Curitiba sob a afirmação de que 9 contratos específicos da Petrobras e subsidiárias teriam gerado vantagens indevidas, nenhuma pergunta foi dirigida a Lula pelos Procuradores da República presentes à audiência. A situação confirma que a referência a tais contratos da Petrobras na denúncia foi um reprovável pretexto criado pela Lava Jato para submeter Lula a processos arbitrários perante a Justiça Federal de Curitiba. O Supremo Tribunal Federal já definiu que somente os casos em que haja clara e comprovada vinculação com desvios na Petrobras podem ser direcionados à 13ª. Vara Federal de Curitiba (Inq. 4.130/QO).

Lula também apresentou em seu depoimento a perplexidade de estar sendo acusado pelo recebimento de reformas em um sítio situado em Atibaia que, em verdade, não têm qualquer vínculo com a Petrobras e que pertence de fato e de direito à família Bittar, conforme farta documentação constante no processo.

O depoimento prestado pelo ex-Presidente Lula também reforçou sua indignação por estar preso sem ter cometido qualquer crime e por estar sofrendo uma perseguição judicial por motivação política materializada em diversas acusações ofensivas e despropositadas para alguém que governou atendendo exclusivamente aos interesses do País.

Cristiano Zanin Martins

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