Após reunião com redes sociais, ministro do TSE diz que tem ‘muita expectativa’ de acordo para desmonetizar canais políticos

Após reunião com redes sociais, ministro do TSE diz que tem ‘muita expectativa’ de acordo para desmonetizar canais políticos

Representantes das redes sociais teriam se mostrado dispostos a acolher determinações e propostas da Justiça Eleitoral

Vinícius Valfré / BRASÍLIA

19 de agosto de 2021 | 18h01

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu representantes de empresas de redes sociais nesta quinta-feira, 19, para tratar da decisão que determinou a suspensão das receitas de canais bolsonaristas dedicados à desinformação e a ataques a instituições e ao sistema eleitoral.

O encontro também serviu para que fossem discutidas estratégias que possam evitar a migração dos canais e perfis atingidos pela decisão para outras páginas ou plataformas. De acordo com interlocutores, as empresas se mostraram dispostas a acolher as determinações e sugestões da Justiça Eleitoral.

O corregedor-geral da Corte, Luis Felipe Salomão, mencionou na reunião a ideia de editar uma resolução que visa suspender, nas eleições, a monetização de canais relacionados à política. Uma outra reunião deve ser marcada nos próximos dias para que o debate seja aprofundado.

“Tenho muita expectativa de que formemos aqui uma conscientização da relevância desse momento, no qual a colaboração do setor público e privado nesse diálogo é fundamental para se chegar a um bom termo em prol da sociedade”, destacou o ministro.

O ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Foto: Gabriela Biló/ Estadão

O TSE vem consolidando um entendimento de que é necessário cortar o incentivo financeiro a perfis e a canais que crescem a partir de conteúdos agressivos e ataques às instituições.

As propostas surgem no âmbito do inquérito administrativo aberto por causa da “live” do dia 29 de julho em que o presidente Jair Bolsonaro apresentou um conjunto de informações falsas sobre a segurança das urnas eletrônicas.

As alegações do chefe do Executivo ganharam ainda mais alcance por meio de perfis de apoiadores que conseguem ganhar dinheiro com a prática. “Não se trata de censura, nem mesmo perseguição. Por isso, a forma mais indicada é retirar o incentivo financeiro dos canais listados”, afirmou Denisse Ribeiro, delegada da Polícia Federal que lidera as investigações e propôs a suspensão das receitas ao corregedor.

Na decisão, da última segunda-feira, 16, o ministro corregedor observou que a desinformação retroalimenta um sistema de ganhos financeiros. “Quanto mais se atacam as instituições e o sistema eleitoral, mais proveito econômico os envolvidos obtêm. Como já observado, isso ocorre pelo processo de monetização empreendido por esses usuários, a partir do número de visualizações das páginas, do recebimento de doações, do pagamento de publicidade, da inscrição de apoiadores e da realização de lives”, frisou Salomão.

Horas após a reunião, o presidente do TSE, Luis Roberto Barroso, fez um apelo à colaboração das plataformas e afirmou que “dinheiro não é tudo na vida”. “Precisamos pacificar o Brasil contra o ódio. Na democracia tem espaço para todos. Tem espaço para liberais, para conservadores, para progressistas. Mas não tem espaço para a disseminação do ódio e para a difusão de mentiras deliberadas e de ataque as instituições”, declarou. “Faço um apelo, antes que venha a legislação, às próprias plataformas tecnológicas: dinheiro não é tudo na vida. É preciso cultivar valores que mantenham o tecido social com o mínimo de civilidade e de urbanidade”.

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