Após renúncia de vice, Justiça Eleitoral cancela chapa de prefeito foragido de Montes Claros

Após renúncia de vice, Justiça Eleitoral cancela chapa de prefeito foragido de Montes Claros

Como já se esgotou o prazo da Justiça Eleitoral para a substituição de candidatos, exceto em caso de morte, o juiz eleitoral local entendeu que a chapa não poderia mais disputar a eleição deste ano

Fábio Fabrini, de Brasília, e Mateus Coutinho

17 de setembro de 2016 | 10h51

Ruy Muniz. Foto: Divulgação

Ruy Muniz. Foto: Divulgação

A Justiça Eleitoral em Minas Gerais determinou nesta sexta-feira, 16, o cancelamento da chapa à reeleição do prefeito afastado de Montes Claros Ruy Muniz (PSB), atualmente foragido da Justiça.  A decisão do juiz eleitoral Antônio de Souza Rocha foi tomada após o candidato a vice na chapa de Muniz, o médico Danilo Narciso renunciar à candidatura.

Como já se esgotou o prazo da Justiça Eleitoral para a substituição de candidatos, exceto em caso de morte, o magistrado entendeu que a chapa não poderia mais disputar a eleição deste ano. “A extinção da candidatura ao cargo de Vice-Prefeito, decorrente da renúncia, afeta a chapa majoritária. Não sendo mais possível a substituição do candidato a vice-prefeito, (…) determino o cancelamento da chapa majoritária”, assinalou o juiz.

Com isso, a Justiça Eleitoral acaba com as pretensões políticas do prefeito que ficou famoso ao ser preso um dia após ser elogiado no voto da deputada e sua mulher Raquel Muniz (PSD) pela continuidade do processo de impeachment de Dilma. Na ocasião, ele foi detido por suposto uso de verba pública para favorecer hospitais privados a ele ligados. Ele chegou a ser solto em julho, por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, e lançou sua candidatura à reeleição.

IMG-20160916-WA0016

Somente neste ano, Muniz foi alvo de três operações policiais e dois mandados de prisão preventiva. Foi com o segundo mandado, expedido nesta semana na Operação Tolerância Zero, que ele fugiu das autoridades e complicou ainda mais sua situação, levando o seu candidato a vice a desistir da disputa eleitoral. Neste segundo mandado, ele é acusado de desviar dinheiro usado pela prefeitura para a compra de combustíveis.

Ao decretar a prisão de Ruy Muniz nesta semana, a desembargadora Márcia Milanez, do Tribunal de Justiça de Minas, alertou para o ‘risco à ordem pública que o político representa em liberdade’.A magistrada sustenta que o prefeito foragido tornou ‘refém’ de suas ações ilícitas a administração de Montes Claros, na região Norte do Estado.

Caso seu vice não desistisse, Muniz poderia se beneficiar de uma regra da legislação eleitoral: nos 15 dias que antecedem o pleito, marcado este ano para 2 de outubro, nenhum concorrente a cargo eletivo pode ser preso ou detido, salvo em caso de flagrante delito.

 

Tudo o que sabemos sobre:

Montes ClarosRuy Munizeleições

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.