Após relatos de descaso, embaixada brasileira no Peru diz que tenta repatriar turistas

Após relatos de descaso, embaixada brasileira no Peru diz que tenta repatriar turistas

Grupo formado por ao menos 60 pessoas relatam que foram retirados do aeroporto de Lima pelo exército peruano enquanto tentavam trocar passagens para esta segunda; quarentena imposta pelo presidente Vizcarra fechou fronteiras

Paulo Roberto Netto

16 de março de 2020 | 22h15

A Embaixada do Brasil em Lima, no Peru, divulgou nota no fim da noite desta segunda-feira, 16, afirmando que trabalha junto ao governo peruano para trazer de volta todos os brasileiros que estão impedidos de deixar o país após decreto do presidente Martín Vizcarra fechar as fronteiras para conter o avanço do novo coronavírus.

Em relatos enviados à reportagem do ‘Estado’, o grupo formado por ao menos 60 brasileiros em Lima, Cuzco e em Chicama, no Norte do Peru, narram ações do Exército contra passageiros que tentaram trocar passagens no Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Lima, e descaso do governo aos turistas que buscaram informações na sede da embaixada, no bairro turístico de Miraflores.

“A Embaixada do Brasil em Lima tem realizado gestões em alto nível junto às autoridades peruanas com vistas a obter autorização para o retorno imediato dos brasileiros que se encontram impossibilitados de deixar o país”, afirma a representação, em nota divulgada pelas redes sociais.

Soldados do Exército peruano patrulham ruas após decreto presidencial determinar quarentena obrigatória em Lima. Foto: Paolo Aguilar / EFE

A quarentena obrigatória e o fechamento das fronteiras no Peru foram decretadas no domingo, 15, após o país registrar 28 novos casos de infecção pelo novo coronavírus em apenas um dia. A determinação é válida até o dia 30 de março. Ao todo, 71 casos confirmados da doença foram registrados no país vizinho.

A medida permite às Forças Armadas e à polícia atuar para manter a ordem pública e impedir a aglomeração de pessoas ruas. Apenas farmácias, bancos e mercados de alimentos permanecerão abertos.

De acordo com o governo peruano, as Forças Armadas e a polícia ajudarão a manter a ordem pública, impedindo aglomeração de pessoas. Apenas farmácias, bancos e mercados de alimentos e produtos essenciais estarão abertos. Empresas áreas afirmam que enfrentam dificuldades em entrar e sair do País desde que o decreto presidencial entrou em vigor.

O Itamaraty se manifestou afirmando que ‘está ciente da situação’ envolvendo a quarentena e ‘em contato frequente com todos os cidadãos brasileiros’. Segundo a pasta, há 3770 turistas impedidos de deixar o Peru. A mensagem, no entanto, é questionada pelos brasileiros, que relatam ter ido à embaixada e ao consulado brasileiro para se deparar com portas fechadas ou falta de informações sobre o que será feito para o retorno ao Brasil.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DA EMBAIXADA DO BRASIL EM LIMA:

A Embaixada do Brasil em Lima informa que está acompanhando a delicada situação dos turistas brasileiros que estão tentando retornar ao Brasil após a decretação do estado de emergência por parte do Governo peruano em decorrência do COVID-19.

A Embaixada do Brasil em Lima tem realizado gestões em alto nível junto às autoridades peruanas com vistas a obter autorização para o retorno imediato dos brasileiros que se encontram impossibilitados de deixar o país.

Além disso, está solicitando às autoridades locais que atuem junto a associações de hoteis em Cusco para que assegurem a necessária hospedagem aos turistas brasileiros durante esse período.

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