Justiça afasta comando da Câmara do DF e vice assume

Justiça afasta comando da Câmara do DF e vice assume

Juarezão (PSB), eleito na noite de segunda-feira para o cargo, assumirá o lugar da presidente afastada, Celina Leão (PPS)

Fábio Fabrini, de Brasília

23 de agosto de 2016 | 11h19

O deputado Juarezão (PSDB) assumiu a presidência da Câmara do DF. Foto: Reprodução

O deputado Juarezão (PSB) assumiu a presidência da Câmara do DF. Foto: Reprodução

A Câmara Legislativa do Distrito Federal já tem novo comando após a Justiça determinar o afastamento de quatro integrantes da Mesa Diretora. O vice-presidente da Casa, Juarezão (PSB), eleito na noite de segunda-feira, 22, para o cargo, assumirá o lugar da presidente afastada, Celina Leão (PPS).

Os demais alvos da decisão serão substituídos pelos respectivos suplentes. Agraciel Maia (PR), Lira (PHS) e Rodrigo Delmasso (PTN) vão ocupar, respectivamente, a primeira, a segunda e a terceira secretarias da Câmara.

Os deputados afastados prestam depoimento agora na Polícia Civil. A Câmara Legislativa ainda não se pronunciou sobre a decisão.

Operação. Deflagrada nesta manhã por determinação da Justiça do Distrito Federal, a operação Drácon determinou o afastamento dos quatro integrantes da Mesa Diretora da Câmara Legislativa do Distrito Federal. A medida, em caráter liminar (até o julgamento do mérito do processo), foi solicitada pelo Ministério Público de Brasília, que apura suspeitas de pagamento de propina aos deputados.

A decisão foi tomada pelo vice-presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), Humberto Adjuto Ulhoa, que também expediu 14 mandados de busca e apreensão e oito de condução coercitiva (quando o investigado é levado a depor e, em seguida, liberado).

As ordens estão sendo cumpridas pela Polícia Civil em gabinetes da Câmara Legislativa do DF e nas casas dos deputados na manhã desta terça-feira, 23.

Os deputados afastados são a presidente da Câmara, Celina Leão (PPS), o primeiro secretário, Raimundo Ribeiro (PPS), o segundo secretário, Júlio César (PRB), e o terceiro secretário Bispo Renato Andrade (PR). Também é alvo da operação o deputado Cristiano Araújo (PSD).

A medida vale até o fim das investigações. Embora afastados da Mesa, os deputados podem continuar exercendo seus mandatos.

A operação investiga cobrança de propina, pelos parlamentares, para destinar de sobras orçamentárias para o pagamento de dívidas do Governo do Distrito Federal com unidades de terapia intensiva (UTI). Na semana passada, a deputada Liliane Roriz (PTB) divulgou áudios nos quais a presidente da Câmara articula o suposto esquema. Celina Leão nega envolvimento em ilegalidades.

Também são alvos dos mandados o servidor da Câmara Alexandre Braga Cerqueira, o ex-servidor Valério Neves Campos e o ex-presidente do Fundo de Saúde do DF, Ricardo Cardoso.

A Câmara Legislativa do DF ainda não se pronunciou.

COM A PALAVRA, AS DEFESAS:

 

“Em decorrência das recentes informações divulgadas, de que supostamente haveriam indícios de corrupção envolvendo parlamentares da Câmara Legislativa do Distrito Federal, o Deputado Bispo Renato Andrade informa que não tem conhecimento do teor da investigação do Ministério Público, e portanto, está se inteirando de todas as informações para, então, tomar as devidas providências. Bispo Renato Andrade foi citado indevidamente por terceiros e reafirma que não praticou nenhum ato ilícito. Ele informa ainda que desconhece qualquer acusação de ilicitudes e tomará as medidas judiciais cabíveis, no momento certo. O parlamentar está à disposição da imprensa para esclarecimentos, caso haja necessidade.

O Deputado Bispo Renato Andrade informa que está de licença por morte na família, após o falecimento de sua mãe na manhã do domingo (21). Qualquer decisão relacionada às recentes informações divulgadas pela imprensa só será tomada após o retorno do parlamentar às atividades da Câmara Legislativa. Bispo Renato reafirma que são injustas e infundadas as acusações contra ele e que, da sua parte, nenhuma decisão será tomada precipitadamente, para não cometer o mesmo erro de ser injusto com qualquer pessoa. O Deputado Bispo Renato Andrade já se colocou à disposição da justiça para prestar qualquer esclarecimento que for considerado necessário.”

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