Após Lewandowski abrir sigilo de mensagens hackeadas, núcleo duro da Lava Jato pede outra vez ao Supremo anulação do acervo da Operação Spoofing

Após Lewandowski abrir sigilo de mensagens hackeadas, núcleo duro da Lava Jato pede outra vez ao Supremo anulação do acervo da Operação Spoofing

Procuradores renovaram pedido, encaminhado ao ministro Ricardo Lewandowski na semana passada, para tentar invalidar juridicamente o material; conversas compartilhadas com a defesa do ex-presidente Lula devem ser usadas em processo que pede suspeição do ex-juiz Sérgio Moro

Rayssa Motta e Fausto Macedo

01 de fevereiro de 2021 | 18h22

Após o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantar o sigilo de parte das mensagens obtidas na Operação Spoofing, que mirou o grupo de hackers responsável pela invasão dos celulares de autoridades, incluindo o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro e procuradores da Lava Jato em Curitiba, integrantes e ex-membros da força-tarefa renovaram o pedido para anular o material.

Documento

No documento, enviado ao gabinete do ministro nesta segunda-feira, 1º, o grupo pede que todo o acervo da Operação Spoofing seja declarado como prova ‘ilícita e imprestável’.

“Tal material pode ter sido objeto de múltiplas adulterações, é imprestável e constitui um nada jurídico, de modo que nenhuma perícia após a sua apreensão terá o condão de transformar a sua natureza como que por um passe de mágica”, diz um trecho do pedido.

O procurador da República Deltan Dallagnol, ex-chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, é um dos nomes que assina o pedido. Foto: Felipe Rau / Estadão

Procurados, os advogados Marcelo Knoepfelmacher e Felipe Locke Cavalcanti, que representam os procuradores, não se manifestaram à reportagem.

As mensagens vieram a público na esteira da decisão que autorizou o compartilhamento do material com a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os advogados do petista pretendem usar as mensagens para reforçar as acusações de que Moro agiu com parcialidade e encarou o petista como ‘inimigo’ ao condená-lo a nove anos e meio de prisão no caso do triplex do Guarujá.

Ao Supremo, a força-tarefa da Lava Jato pede ainda que a ordem de compartilhamento seja revogada e que a defesa do ex-presidente seja proibida de usar o conteúdo ‘para qualquer finalidade que seja, inclusive em defesas judiciais’.

No ofício, o grupo informa que, caso Lewandowski não analise o requerimento em até cinco dias, um mandado de segurança será formalizado. Isso porque os procuradores já haviam enviado uma petição ao ministro pedindo a reconsideração da decisão na semana passada.

Veja quem assina o pedido:

Deltan Dallagnol

Januário Paludo

Laura Tessler

Orlando Martello

Júlio Carlos Motta Noronha

Paulo Roberto Galvão de Carvalho

Athayde Ribeiro Costa

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