Após juíza rejeitar denúncia, ativista promete ‘tomataço pacífico’ contra ministros

Após juíza rejeitar denúncia, ativista promete ‘tomataço pacífico’ contra ministros

Ricardo Rocchi, que ficou conhecido por atirar tomates cozidos em autoridades e chegou a ser denunciado por incitação ao crime, diz que vai voltar a promover ato inspirado, segundo ele, espelhado na tomatina italiana

Luiz Vassallo

02 Julho 2018 | 16h48

Foto: Acervo Pessoal

“Tem uma nova campanha agora, e o prêmio se estende a outros três ministros!”. A declaração é de Ricardo Rocchi, ativista que ficou conhecido por lambuzar políticos e juízes com tomates cozidos. Autor do ‘Tomataço’, ele chegou a ser denunciado por incitação ao crime e viu a peça ser arquivada pela Justiça Federal em São Paulo. Rocchi promete voltar a promover o ‘ato pacífico’. Desta vez, ele quer atingir ministros que se posicionarem contra prisões após segunda instância.

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Rochi, que promove as manifestações ao lado de outra ativista, Zanza Mincache, foi denunciado pelo Ministério Público Federal em razão de anúncios nas redes sociais com a oferta de pagar R$ 300 para quem acertasse a cabeça do ministro Gilmar Mendes, do Supremo.

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Perante à Justiça, Rocchi justificou o valor. “Era referente ao custo para bancar a viagem das pessoas até Brasília e realizar o ato.”

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Quem ajudou em sua defesa foi Modesto Carvalhosa, jurista que é autor de um pedido de impeachment de Gilmar.

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“Agora, o Supremo está utilizando a Lei de Segurança Nacional contra aqueles que fazem protesto contra os ministros. É um absurdo. Desde o tempo do regime militar. É para constranger quem protesta contra eles”, avalia Carvalhosa.

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Acervo: Arquivo Pessoal

Ele, no entanto, se defende e diz que o ‘tomataço é pacífico’. “Seguimos o método de Gene Sharp, que é para sair da ditadura e ir para a democracia. O que vivemos hoje é uma ditadura, nítida e clara, e nós vamos lutar”.

“Na verdade, eu falei na Polícia Federal que o tomataço não é um crime, é uma ação pacífica espelhada na tomatina na Itália e que realmente ministros estão tomando atitudes que não representam o Brasil”, afirma.

A juíza federal Renata Andrade Lotufo entendeu que a conduta dele está ‘inserida no contexto de sua liberdade de expressão’.

“A conduta do denunciado, ainda que possa ser tida por reprovável, está inserida no contexto de sua liberdade de expressão, sendo certo que agentes públicos (tais como este juízo) e, especialmente, pessoas em posições elevadas no espectro político e jurídico, estão sujeitos a um grau maior de crítica social”, explica Lotufo.

Após a decisão, Rocchi decidiu ampliar a ‘recompensa’ de R$ 300 a quem faça o ‘tomataço’ contra outros nomes. “O prêmio se estende a outros três ministros. Tem uma nova campanha agora, que é para acertar o tomate pacífico em Toffoli, Lewandowski e Marco Aurélio. Uma nova campanha. Ajuda de custo para patriotas que queiram defender o que é certo e o Brasil.”

Rocchi se diz indignado com a possibilidade de mudança de entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre prisões após segunda instância. “Está tudo descarado, querem soltar todo mundo no Brasil, e ainda se cai a prisão após segunda instância no Brasil sai traficante, matador, assassino. bandido, ladrão de banco. é o fim do mundo.”