Após ironia de Villas Bôas a Fachin, Gilmar Mendes rebate: ‘Ditadura nunca mais!’

Após ironia de Villas Bôas a Fachin, Gilmar Mendes rebate: ‘Ditadura nunca mais!’

Ministro usou as redes sociais para criticar declaração do ex-comandante do Exército, que ironizou a resposta do ministro Edson Fachin às declarações feitas em 2018 sobre julgamento de Lula

Redação

16 de fevereiro de 2021 | 16h32

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro Gilmar Mendes usou as redes sociais nesta terça, 16, para rebater o ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas. Mais cedo, o militar ironizou a reação do ministro Edson Fachin, que subiu o tom nesta segunda contra uma declaração dita por ele há três anos.

“A harmonia institucional e o respeito à separação dos poderes são valores fundamentais da nossa república. Ao deboche daqueles que deveriam dar o exemplo responda-se com firmeza e senso histórico: Ditadura nunca mais!”, escreveu Gilmar.

A polêmica tive início após o livro General Villas Bôas: Conversa com o Comandante, lançado pela Editora FGV a partir de uma longa entrevista dada ao pesquisador Celso Castro, revelar que o ex-comandante do Exército teria planejado com o Alto Comando da Força o tuíte que foi interpretado como pressão para que o Supremo Tribunal Federal (STF) não favorecesse o ex-presidente Lula.

“Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”, escreveu Villas Bôas na ocasião.

O texto chegou a ser interpretado como ameaça de golpe, caso Lula fosse libertado. O ex-presidente cumpria pena estabelecida pelo juiz Sérgio Moro, no processo do triplex do Guarujá. Sua libertação poderia ter influência na campanha eleitoral. A disputa foi vencida, no segundo turno, por Jair Bolsonaro, derrotando o petista Fernando Haddad.

Nesta segunda, 15, o ministro Edson Fachin afirmou ser ‘intolerável e inaceitável’ qualquer forma de pressão sobre o Poder Judiciário.

“A declaração de tal intuito, se confirmado, é gravíssima e atenta contra a ordem constitucional. E ao Supremo Tribunal Federal compete a guarda da Constituição”, completou o ministro. Em 2018, Fachin era relator do pedido apresentado pela defesa de Lula, que acabou sendo negado pelo plenário do STF.

Villas Boâs ironizou a resposta tardia do ministro: ‘Três anos depois’.

Com forte influência no Exército, força que comandou por quatro anos – entre os governos Dilma Rousseff e Michel Temer – o general Eduardo Villas Bôas é um dos principais “gurus” do presidente Jair Bolsonaro. E o presidente já deixou isso claro em algumas ocasiões.

Um dia após assumir a Presidência, por exemplo, Bolsonaro lembrou a influência do general ao afirmar que Villas Bôas foi um dos responsáveis por ele ter chegado ao Planalto. “O que nós já conversamos morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”, afirmou na ocasião o presidente.

Tudo o que sabemos sobre:

Gilmar Mendes

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.