Após Erika Hilton ser ameaçada de morte por email, Procuradoria quer caso investigado como violência política de gênero

Após Erika Hilton ser ameaçada de morte por email, Procuradoria quer caso investigado como violência política de gênero

Gabinete da vereadora paulistana foi notificado sobre o pedido nesta segunda-feira, 14; para Ministério Público Federal, hostilidades estão afetando o trabalho da parlamentar na Câmara de São Paulo

Jayanne Rodrigues

14 de março de 2022 | 20h40

O Ministério Público Eleitoral de São Paulo solicitou que a ameaça contra a vereadora Erika Hilton (PSOL) feita por email seja classificada como violência política de gênero. O pedido foi enviado ao órgão que acompanha as investigações do caso na última quinta-feira, 10. No ataque direcionado à Hilton, o suspeito – que ainda não foi identificado – disparou ofensas de teor racista e transfóbico, além de assegurar que iria incendiar o corpo e a casa da parlamentar.

A solicitação foi elaborada pelo Grupo de Trabalho (GT) Prevenção e Combate à Violência Política de Gênero, vinculado à Procuradoria-Geral Eleitoral. Na linha de frente do pedido, as coordenadoras do GT: Raquel Branquinho Nascimento e Nathália Mariel Ferreira de Souza

No documento, as solicitantes citaram a reportagem produzida pela jornalista Mônica Bergamo para descrever detalhes do caso e afirmaram que a situação estava impactando diretamente no trabalho exercido pela vereadora. Ainda acrescentaram que mesmo com a “segurança reforçada pela Câmara de vereadores, além da disponibilização de segurança para o seu deslocamento pessoal”, a proteção da parlamentar ainda exige cautela. Leia na íntegra:

Documento

A partir das provas apuradas, a equipe que integra o GT considerou que Erika Hilton sofreu violência política de gênero e que o ataque caracteriza o crime previsto no art. 326-B do Código Eleitoral e no art. 359-P do Código Penal. As penas podem alcançar até seis anos de reclusão.

O gabinete da vereadora foi notificado nesta segunda-feira, 14, dia em que se completa quatro anos do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, vítima de violência política contra a mulher durante a sua gestão. Para as procuradoras que produziram o pedido, a cobrança pela elucidação do caso é uma forma de cessar os ataques ou evitar que eles se repitam. Pois avaliam que “o quadro narrado apresenta-se bastante grave”, já que não é a primeira vez que Hilton é alvo de ameaças de morte. 

O pedido foi protocolado no mesmo dia em que a parlamentar tornou a denúncia pública. Foto: Taba Benedicto/ Estadão

RELEMBRE O CASO

No dia 10 de março, a vereadora Erika Hilton tornou público a ameaça que havia sofrido por email no mês de fevereiro. No conteúdo da mensagem, xingamentos como “Satanás do inferno” e “traveco”. A parlamentar registrou boletim de ocorrência e ofereceu representação criminal contra o suspeito(a) do ataque. Diversas autoridades políticas prestaram apoio à Erika. Sobre o ocorrido, em entrevista ao Estadão, ela disse que estava “forte para continuar”. 

COM A PALAVRA, A VEREADORA ERIKA HILTON

“Esse é um caso grave de transfobia que merece ser investigado com rigor. A Delegacia de Crimes Raciais e de Intolerância de São Paulo e o Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MP estão fazendo um trabalho muito sério de combate ao racismo e à LGBTfobia. O fato da ameaça que recebi também ser investigada no âmbito da Justiça Eleitoral mostra que, além da transfobia e do racismo, há um componente de violência política de gênero contra mim e outras mulheres trans e negras que estão ocupando novos espaços da política.

É importante que as instituições estejam mais atentas e coibam essa prática nefasta. Esse ano, mais do que nunca, precisamos de muita atenção para garantir um ambiente político democrático e garantidor de direitos fundamentais.”

 

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