Após cobrança de Marco Aurélio, Secretaria de Comunicação do Supremo explica ‘falha de montagem’ em clipping da Corte

Após cobrança de Marco Aurélio, Secretaria de Comunicação do Supremo explica ‘falha de montagem’ em clipping da Corte

Decano do STF queria explicações sobre a ausência, no informativo interno diário, de reportagens relacionadas à demissão do médico Marco Polo Freitas do cargo de secretário de Serviços Integrados de Saúde do STF, na esteira do pedido do Supremo para reserva de vacinas contra a covid-19

Pepita Ortega, Rayssa Motta e Fausto Macedo

01 de janeiro de 2021 | 10h22

Fachada do Supremo Sede do Tribunal Federal em Brasília. Foto: Gervásio Baptista/SCO/STF

O secretário de Comunicação do Supremo Tribunal Federal, Delorgel Valdir Kaiser, enviou na tarde desta quinta, 31, ao ministro Marco Aurélio Mello, um ofício apontando ‘falha da montagem’ do clipping que circulou no tribunal na última quarta-feira, 30.

O decano do STF havia pedido ao presidente da corte, ministro Luiz Fux, que cobrasse esclarecimentos sobre a ausência de duas reportagens relacionadas à demissão do médico Marco Polo Freitas do cargo de secretário de Serviços Integrados de Saúde do STF.

A exoneração do servidor se deu na esteira da crise do pedido de reserva de vacinas contra a covid-19 para imunizar ministros e servidores e fez com que integrantes da Corte dirigissem críticas a Fux.

Nos bastidores, a exoneração do médico foi interpretada como uma tentativa de achar um ‘bode expiatório’ para acalmar a opinião pública. Após a demissão, Freitas afirmou que nunca realizou ‘nenhum ato administrativo sem ciência e anuência’ de seus superiores hierárquicos.

Junto do ofício mencionando a ‘falha’, Kaiser encaminhou o volume completo do clipping, incluindo as reportagens com chamadas na capa do Estadão e da Folha de S. Paulo intituladas, respectivamente, ‘Demissão de médico gera atritos para Fux no STF’ e ‘Médico do STF contesta versão de Fux sobre vacinas’.

Segundo Marco Aurélio, o clipping distribuído na quarta apresentava duas folhas de rosto com a citação às matérias, mas não ‘com a reprodução do que publicado’.

Foto: Reprodução

O ofício enviado por Marco Aurélio. Foto: Reprodução

Conforme informou o Estadão, a exoneração do médico Marco Polo Freitas, após pedido para laboratórios brasileiros reservarem 7 mil doses de vacina contra coronavírus para imunizar ministros, servidores e familiares, causou uma nova crise no STF. Fux foi alvo de críticas de outros ministros por ter retirado Freitas do cargo de secretário de Serviços Integrados de Saúde.

Na última terça-feira, 29, o médico afirmou que nunca realizou “nenhum ato administrativo sem ciência e anuência” dos seus superiores hierárquicos. Ministros ouvidos pelo Estadão elogiaram a atuação profissional de Freitas nos 11 anos em que esteve no Supremo – desde 2014 à frente da secretaria. Eles lembraram, ainda, que Fux havia defendido o pedido de reserva de imunizantes para a Corte em uma entrevista veiculada pela TV Justiça na semana passada.

A demissão de Freitas foi interpretada, nos bastidores, como uma tentativa de achar um “bode expiatório” para acalmar a opinião pública. Conforme revelou o Estadão, o ofício com o pedido de vacinas enviado à Fiocruz, no dia 30 de novembro, é assinado pelo diretor-geral do STF, Edmundo Veras dos Santos Filho. A Fiocruz já negou a solicitação do Supremo. Ainda falta manifestação do Instituto Butantã, também acionado pela Corte.

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