Após buscas na prefeitura e na câmara de Campos do Jordão, Promotoria mira outras dez administrações por fraudes em licitações

Após buscas na prefeitura e na câmara de Campos do Jordão, Promotoria mira outras dez administrações por fraudes em licitações

Ministério Público de São Paulo avança investigação no âmbito da Operação Reboot contra grupo empresarial do setor de informática da mesma família que teria sido beneficiado por gestões municipais nos últimos 15 anos

Fausto Macedo e Paulo Roberto Netto

27 de novembro de 2019 | 16h02

Após realizar buscas na sede da prefeitura e em praticamente todas as dependências da Câmara municipal de Campos do Jordão, interior de São Paulo, nesta terça, 26, o Ministério Público do Estado mira pelo menos outras dez administrações paulistas por suspeita de ligação com esquema que beneficia grupo empresarial do setor de informática há cerca de 15 anos, por meio de licitações fraudadas e contratos superfaturados.

Sede da Prefeitura Municipal de Campos do Jordão. Foto: Prefeitura / Divulgação

A Operação Reboot, deflagrada nesta terça, 26, incluiu uma ofensiva sem precedentes no Executivo e no Legislativo de Campos do Jordão. Na sede das empresas favorecidas, que ficam em Santo André, na Grande São Paulo, os promotores confiscaram R$ 44 mil em dinheiro.

Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Vale do Paraíba, vasculharam gabinetes de secretários municipais e de vereadores. Fiscais do Tribunal de Contas do Estado (Unidade de Guaratinguetá) e policiais militares do Baep e da força-tática integraram a missão.

As buscas foram realizadas sob autorização da Justiça de Campos do Jordão, que decretou a quebra do sigilo bancário e fiscal dos investigados.

Nesta terça foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão. Além de Campos do Jordão a força-tarefa foi a Caçapava, Pindamonhangaba, Taubaté, Cotia, Barueri, Poá, Santo André e em endereços da capital paulista.

Na prefeitura de Campos do Jordão, o Gaeco apreendeu documentos, computadores e celulares. Os promotores inspecionaram salas de diversas secretarias municipais e de membros da Comissão de Licitação.

Foto: Google Street View

O prefeito Fred Guidoni (PSDB) não é alvo da investigação.

Na Câmara, a batida compreendeu praticamente todas as dependências, inclusive a sala da presidência da Casa.

A Operação Reboot teve início a partir de uma denúncia anônima. A investigação dos promotores do Gaeco apontam para um extenso rol de contratos superfaturados.

Os valores pagos pela prefeitura de Campos do Jordão seriam muito superiores aos desembolsados por outras administrações municipais para o mesmo serviço.

“Não há competição”, disse um investigador. “As licitações são armadas, fraudulentas.”

Esse investigador disse que as buscas desta terça, 26, foram realizadas ‘para aprofundar’ o volume de provas contra o grupo sob suspeita.

Ele esclareceu que essa fase da Operação Reboot mira o ‘círculo de pessoas que cuidam de contratações’ da prefeitura e da Câmara de Campos do Jordão. “Precisamos saber quem são essas pessoas.”

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE CAMPOS DO JORDÃO

Prefeitura de Campos do Jordão está colaborando com o Ministério Público e demais órgãos de controle, que investigam a atuação de uma empresa privada. Todos os documentos solicitados foram apresentados para colaborar com o trabalho da Justiça.

COM A PALAVRA, A CÂMARA DE CAMPOS DO JORDÃO

A reportagem fez contato, por email, com o gabinete do presidente da Câmara, vereador Filipe Cintra (PHS). O espaço está aberto para manifestação.

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