Após Aziz apontar ‘coincidência’ em apuração do caso Covaxin, PF diz que age ‘sem perseguições ou proteções de qualquer natureza’

Após Aziz apontar ‘coincidência’ em apuração do caso Covaxin, PF diz que age ‘sem perseguições ou proteções de qualquer natureza’

Corporação divulgou nota defendendo sua atuação no inquérito sobre o processo de compra da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde

Pepita Ortega, Paula Reverbel e Matheus Lara

13 de julho de 2021 | 17h50

A Covaxin foi desenvolvida com o estatal Conselho Indiano de Pesquisa Médica Foto: Jaipal Singh/EFE

Após o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), falar em ‘coincidência’ de representantes da Precisa Medicamentos se tornarem investigadas pela Polícia Federal antes dos depoimentos à comissão instalada no Senado, a corporação divulgou nota defendendo sua atuação no inquérito sobre o processo de compra da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde.

No texto divulgado na tarde desta terça, 13, a PF aponta que a oitiva de pessoas pela corporação não está atrelada a outras investigações em andamento sobre o caso e diz que o trabalho da instituição se dá ‘sem perseguições ou proteções de qualquer natureza’.

A referência de Aziz às investigações da PF se deu na sessão da CPI desta manhã, ocasião em que os senadores iriam ouvir a diretora técnica da Precisa Medicamentos Emanuela Medrades. O depoimento, no entanto, foi suspenso, após a farmacêutica informar aos senadores que ficaria em silêncio, não tendo respondido nem mesmo a primeira pergunta do relator Renan Calheiros a respeito de qual é seu vínculo com empresa que representa a fabricante da vacina indiana Covaxin.

“A nossa depoente de hoje, para vocês terem uma ideia, foi ontem ouvida pela Polícia Federal. Foi ouvida ontem. Inexplicavelmente, o sr. (Francisco) Maximiano (sócio da Precisa Medicamentos) se torna investigado um dia antes de vir depor. Inexplicavelmente, a nossa depoente também é ouvida um dia antes de vir depor. Não quero eu fazer aqui qualquer tipo de pensamento de que há um movimento – longe de mim falar isso da Polícia Federal –, mas é estranho para mim, como para muitos outros aqui. Como jabuti não sobe em árvore, nós não podemos entender é como são feitas essas coisas”, afirmou Omar.

A indicação de Emanuela, de que ficaria em silêncio perante a Covid, tem como base uma decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, que autorizou a funcionária da Precisa a não responder questionamentos dos senadores em caso de perguntas que poderiam incriminá-la.

Por outro lado, o presidente frisou no despacho dado nesta segunda, 12, que quanto a fatos fatos supostamente criminosos de que Emanuela seja meramente testemunha, ela teria o dever de depor e de dizer a verdade. A ressalva foi citada por senadores durante a sessão desta manhã e motivou a CPI a oficiar Fux indagando o minsitro sobre os alcances de sua decisão. No documento, os senadores apontaram que a diretora técnica da Precisa reiteradamente se negou a responder perguntas simples. A resposta de Fux sobre o caso deve sair ainda nesta terça.

Leia a íntegra da nota da PF

Sobre a investigação que apura a possível ocorrência de crimes referentes ao processo de compra da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde, a Polícia Federal esclarece:

1. A investigação atende às disposições constitucionais e legais, o que inclui o prazo regular para a sua conclusão;

2. A produção de provas, sobretudo a oitiva de pessoas que possam contribuir para a elucidação dos fatos, não está atrelada a outras investigações em andamento sobre o caso;

3. A PF possui métodos e estratégias próprios de investigação, devidamente supervisionados pelo Poder Judiciário e reconhecidos nacional e internacionalmente;

4. Instituição de Estado, a Polícia Federal trabalha de forma isenta e imparcial, em busca da verdade real dos fatos, sem perseguições ou proteções de qualquer natureza.

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