Após Aras denunciar ‘caixas de segredos’ da Lava Jato, procurador da força-tarefa diz que ‘faltou foi transparência de Bolsonaro’ na escolha do PGR

Após Aras denunciar ‘caixas de segredos’ da Lava Jato, procurador da força-tarefa diz que ‘faltou foi transparência de Bolsonaro’ na escolha do PGR

Roberto Pozzobon, do Ministério Público Federal de Curitiba, reage às declarações do procurador-geral da República que em live do Grupo Prerrogativas nesta terça-feira, 28, fustigou a investigação e disse que o 'lavajatismo vai passar'

Pepita Ortega e Rayssa Motta

29 de julho de 2020 | 11h08

O procurador da República Roberson Pozzobon, da Operação Lava Jato. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

O procurador Roberto Pozzobon, integrante da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, reagiu às falas do Procurador-Geral da República Augusto Aras, que afirmou em live na noite desta terça, 28, que ‘é hora de corrigir rumos para que o lavajatismo não perdure’. Após o PGR indicar que busca transparência no Ministério Público Federal e falar em ‘caixa de segredos’ da Lava Jato , Pozzobon disse que ‘transparência faltou mesmo no processo de escolha do PGR pelo presidente Jair Bolsonaro’.

“O transparente processo de escolha a partir de lista tríplice, votada, precedida de apresentação de propostas e debates dos candidatos, que ficou de lado, fez e faz falta”, escreveu o procurador em seu perfil no Twitter.

A procuradora Monique Checker, do Ministério Público Federal no Rio, não escreveu nada diretamente sobre as falas de Aras, mas retuitou uma postagem do senador Alessandro Oliveira.

As declarações de Aras se deram em transmissão ao vivo realizada pelo Grupo Prerrogativas. Na ocasião, Aras afirmou ainda que listas tríplices são ‘fraudáveis’e apontou que não podem existir ‘caixas-pretas’ no órgão.

“A meta é abrir esta instituição para que jamais se diga que esta instituição possa ter caixas-pretas. A meta é dizer: lista tríplice fraudável nunca mais, porque nós temos relatórios de perícia, um da CGU (Controladoria Geral da União), um do órgão interno e um que ainda não foi entregue pelo Ministério do Exército, que falam que eram fraudáveis. Não posso dizer fraudadas, porque o mecanismo era tão poderoso que não deixava rastros”, afirmou o PGR.

Pauta dos procuradores há mais de 20 anos, a lista tríplice vem sendo ainda mais discutida desde a escolha de Bolsonaro por Aras. O procurador foi o primeiro indicado à chefia do MPF em 16 anos que não constava na lista tríplice da PGR, formulada em votação entre procuradores.

Em maio, mais de 500 procuradores da República de todo País assinaram manifesto pedindo a inclusão, no texto constitucional, da regra de que o chefe do MPF deve ser escolhido com base em lista tríplice escolhida pelos membros da instituição, como acontece nos Ministérios Públicos de todas as unidades da federação.

O documento que defende ainda a independência do Ministério Público Federal foi divulgado em meio a elogios de Bolsonaro ao PGR. Desde que assumiu o comando do Ministério Público Federal em setembro de 2019, Aras vem tomando uma série de medidas que atendem aos interesses do presidente.

O procurador-geral da República Augusto Aras conversa com o presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto. Foto: Dida Sampaio / Estadão

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